União Brasil não vê nada demais pagar R$ 730 mil a empresa de Rueda
O partido contratou o contador do seu presidente para cuidar das contas.
Publicado em: 06/10/2025 às 10:13 | Atualizado em: 06/10/2025 às 10:15
O contador José Edjackson da Silva, funcionário do escritório do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, virou peça-chave nas finanças da legenda. Ele recebeu R$ 730 mil em três anos para cuidar das contas do partido, enquanto continuava atuando no escritório Rueda & Rueda Advogados, de propriedade de Rueda e de sua irmã Maria Emília “Mila” Rueda, que também é tesoureira da sigla.
A contratação, feita em 2022, ampliou a presença de aliados diretos do presidente nas estruturas partidárias. Desde então, Edjackson acumulou funções: além de controlar a contabilidade do União Brasil, foi nomeado diretor financeiro da Fundação Índigo, braço de formação política ligado à legenda.
Nos balanços entregues à Justiça Eleitoral, o contador aparece recebendo R$ 175 mil em 2022, R$ 242 mil em 2023 e R$ 312 mil em 2024. Relatórios indicam que ele cuidava da implantação de sistemas financeiros e da organização contábil interna. A Fundação Índigo ainda bancou R$ 37,5 mil em passagens aéreas entre Recife e Brasília, onde o contador trabalha parte da semana.
O partido afirma que tudo foi feito “dentro da legalidade”, com contratos separados e sem sobreposição de funções. Não apresentou, porém, documentos que comprovem essa separação.
A relação próxima entre Rueda e Edjackson chama atenção por outro motivo. O presidente do União Brasil está sob pressão após ser citado em investigação da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro em empresas de aviação ligadas a suspeitos do PCC. Em reação, a sigla anunciou a saída antecipada de seus aliados do governo Lula, inicialmente prevista para o fim de setembro.
Especialistas consideram o caso um alerta. Para o professor Carlos Ari Sundfeld, da FGV (Fundação Getulio Vargas), o vínculo simultâneo do contador com o escritório de Rueda e com o partido “não é ilegal, mas levanta dúvidas sobre governança e independência na gestão de recursos públicos”.
Rueda, que assumiu o comando do União Brasil após o racha com Luciano Bivar, tenta se defender de novas críticas internas. A direção do partido sustenta que reduziu 61% das despesas entre 2022 e 2024 e economizou R$ 1,2 milhão por ano, o que, segundo a nota, “demonstra gestão responsável dos recursos partidários”.
Ainda assim, nos bastidores, cresce o incômodo com a concentração de poder e a influência direta do presidente sobre as finanças do partido.
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Foto: reprodução/União Brasil
