Vereador-coronel e policiais entram na Ufam e intimidam professor e alunos
Ação liderada pelo coronel PM Ubirajara Rosses (PL) no ICHL gerou confronto após tentativa de retirada de cartazes políticos em Manaus
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 05/05/2026 às 20:56 | Atualizado em: 05/05/2026 às 22:12
Um episódio de tensão política marcou a tarde desta terça-feira (5 de maio) no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O vereador de Manaus Ubirajara Rosses do Nascimento Júnior, que se apresenta como coronel Rosses (PL), acompanhado de seguranças e influenciadores digitais, entrou nas dependências do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) para remover cartazes de manifestações estudantis, o que resultou em um confronto direto com alunos e o professor de história Luiz Antônio Nascimento.
Confronto e alegações
Testemunhas afirmam que o parlamentar, que é oficial da reserva da Polícia Militar do Amazonas e ligado a movimentos de extrema-direita, tentou arrancar materiais de panfletagem e cartazes que criticavam figuras políticas nacionais e abordavam a causa palestina.
Ao ser questionado sobre a legalidade da ação dentro de uma autarquia federal, o vereador teria proferido ameaças contra o docente e os estudantes presentes.
O professor Luiz Antônio confrontou o grupo, afirmando que o parlamentar não possui competência legal para fiscalizar ou intervir nas atividades internas da universidade.
"Você não tem o direito de fiscalizar a universidade", disse o professor durante o embate, que foi registrado em vídeos compartilhados nas redes sociais.
Leia mais
Vereador de Manaus diz que ‘valores’ de Bolsonaro vão crescer
Contexto político
O incidente ocorre em um momento de polarização acentuada na instituição.
Recentemente, o processo eleitoral para a reitoria da Ufam resultou na derrota de chapas alinhadas ao governo anterior, consolidando uma gestão que defende a autonomia universitária frente a intervenções externas.
No ICHL, a presença de materiais de cunho político é recorrente e protegida pelo princípio da liberdade de expressão acadêmica.
Até o fechamento desta edição, a reitoria da Ufam e a câmara municipal não haviam emitido notas oficiais sobre a conduta do oficial e vereador no campus.
O espaço segue aberto para a manifestação dos envolvidos.
Foto: reprodução
