Wilson Lima dá rostos a discurso, acena a Tadeu de Souza e mostra domínio fiscal   

Dona Teófila, indígena ticuna; em sua aldeia, agora, ela toma água tratada do programa "Água Boa". A indígena foi trazida a Manaus, de avião, para ir à ALE-AM

Dona Teófila 2 - Foto: Mauro Neto/Divulgação/Secom

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/02/2026 às 09:22 | Atualizado em: 11/02/2026 às 06:06

Em sua última mensagem à ALE-AM, governador levou personagens ao plenário, apresentou um Estado com contas sanadas e fez acenos claros ao vice-governador.

O governador Wilson Lima (União Brasil) transformou a leitura de sua oitava e última Mensagem Governamental à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), nesta terça-feira (3), em um ato político carregado de simbolismo e estratégia. 

Ao levar para dentro do plenário cidadãos comuns beneficiados por seus programas, Lima repetiu e ampliou a inovação de linguagem política que inaugurou em sua primeira posse, em 2019. Mas, para além da emoção, o discurso foi um atestado de sanidade fiscal do Estado e um “passar de bastão” simbólico ao vice-governador Tadeu de Souza.

Se em 1º de janeiro de 2019, o então recém-eleito Wilson Lima surpreendeu ao levar para a posse a senhora que viralizou na campanha pedindo uma “lapada no Amazonino”, rompendo com a rigidez cerimonial, ontem ele consolidou esse estilo. O governador substituiu os números frios por rostos.

“Tudo o que fizemos, cada projeto, cada entrega, cada política pública, teve um único protagonista: o povo do Amazonas.” — Wilson Lima

Entre as autoridades, sentaram-se a dona Marilza, de Nova Olinda do Norte, beneficiária do Auxílio Estadual; a pequena Aisha, salva por uma cirurgia cardíaca via telemedicina; e o soldado Jean, de Carauari, aprovado no recente concurso da PM. A estratégia de dar “rosto” às estatísticas serviu para blindar o legado de sua gestão ao humanizar os resultados.

O aceno decisivo a Tadeu de Souza

No xadrez político, o discurso serviu para preparar o terreno para 4 abril. Essa é data limite para a desincompatibilização de quem pretende disputar o Senado. Wilson não apenas citou, mas fez questão de dividir os méritos da gestão com o vice-governador Tadeu de Souza. Com isso, sinalizando confiança em seu provável sucessor.

Ao falar sobre a revolução na saúde, citando o fim das filas nos corredores do 28 de Agosto, Platão Araújo e João Lúcio, Wilson direcionou a fala a Tadeu:

“Esse é o momento de reconhecer esse trabalho. Tadeu, você fez e nos ajudou a fazer na saúde. Enquanto eu ia para um lado, ele ia para o outro.”

O governador destacou o “desprendimento” e a “parceria” de Tadeu, adjetivos que, na gramática do poder, indicam um vice leal e preparado para assumir a caneta.

Controle fiscal: a casa em ordem

Um dos pontos altos e mais técnicos do discurso foi a resposta de Wilson Lima aos desafios econômicos. O governador fez questão de enfatizar que entrega um estado não apenas com obras, mas com controle absoluto da máquina pública. 

Em sua campanha a governador em 2018, ele foi contestado por não ter experiência política nem administrativa. Nos debates, ele era posto em pegadinhas sobre os índices fiscais do estado.

Contudo, agora, o governador rebate às críticas implícitas e demonstrando domínio dos números. Por exemplo, ele destacou que o Amazonas alcançou a nota A na capacidade de pagamento junto ao Tesouro Nacional. E que reduziu as despesas com pessoal para mais de 10 pontos percentuais, abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

“Hoje, estamos mais de 10 pontos percentuais abaixo desse limite [da LRF]. Esse resultado foi alcançado honrando todos os compromissos.”

O recado foi claro: o Amazonas cresceu 74% no PIB desde 2019, diversificou a economia com o gás natural e o potássio. Com isso, permitiu benesses como a redução do IPVA e a isenção para motos, tudo isso sem quebrar o Estado.

Segurança e saúde como vitrines

Na segurança pública, o governador utilizou a presença do soldado Jean para ilustrar o investimento de mais de R$ 1 bilhão no programa “Amazonas Mais Seguro”. 

Ele citou a redução histórica de homicídios e o uso de tecnologia de ponta, como o “Paredão”, para sufocar o crime organizado e reduzir em 76% o roubo de veículos, em comparação a 2019.

Já na saúde, o tom foi de dever cumprido diante do maior gargalo histórico do estado. O destaque emocionado foi para a interiorização da alta complexidade. Hoje há UTI em cidades polo como Humaitá e Parintins, salvando vidas que antes dependiam da “ambulancioterapia” para Manaus.

Ao encerrar, Wilson Lima deixou o plenário com a certeza de quem construiu uma narrativa política própria. 

Ao trocar a retórica tradicional pela presença física de beneficiários dos serviços públicos, ele tenta garantir que seu legado não seja apenas lido em relatórios, mas visto nas pessoas. 


Maria Eliane, moradora de Humaitá, salva por UTI que hoje existe em sua cidade/Foto: Mauro Neto/Secom

Frases

“Retirei a fotografia do governador das repartições públicas. No lugar daquele quadro, tradição faixa e pose oficial, colocamos fotos dos servidores e das pessoas para quem trabalhamos.”

“Hoje não tem mais gente no corredor do 28 de Agosto, não tem mais gente no corredor do Platão Araújo e não tem ninguém no corredor do João Lúcio. Esse é um feito histórico.

“Cumprimos integralmente as metas fiscais pactuadas com o Tesouro Nacional, demonstrando disciplina fiscal, previsibilidade orçamentária e credibilidade institucional.

“Ao meu vice-governador, Tadeu de Souza: agradeço pela parceria, pela disposição e pelo desprendimento.”

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