Abraço de Trump em Lula derruba dólar e eleva otimismo na bolsa
O encontro entre Lula e Trump na ONU gerou otimismo no mercado, derrubando o dólar e impulsionando a Bolsa brasileira.
Publicado em: 23/09/2025 às 20:07 | Atualizado em: 23/09/2025 às 20:10
Uma inesperada “química” entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU causou um impacto significativo no mercado financeiro brasileiro nesta terça-feira (23/9). A sinalização de uma desescalada nas tensões diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, mesmo após recentes sanções de Washington, foi recebida com grande otimismo por investidores.
O dólar despencou 1,11%, fechando a R$ 5,277, o menor valor em mais de um ano. Esse desempenho foi impulsionado pela expectativa de que a aproximação entre os líderes possa flexibilizar as tarifas aplicadas por Trump sobre produtos brasileiros. A divisa norte-americana chegou a ser cotada a R$ 5,276 na mínima do dia.
O ânimo também se refletiu na Bolsa de Valores brasileira, que bateu mais um recorde. O Ibovespa avançou 0,96% e alcançou 146.509 pontos no fechamento, com um pico de 147.178 pontos durante o pregão. Setembro se consolida como um mês de alta histórica, com o índice renovando seu recorde pela sétima vez.
O encontro por trás dos resultados
As falas de Lula e Trump foram o estopim para o desempenho do mercado. Em seu discurso, Lula defendeu a democracia brasileira, em uma crítica velada às ações de Trump.
No entanto, o ponto de virada foi o republicano anunciar, em seu próprio discurso, que teve uma “excelente química” com o presidente brasileiro em um breve encontro.
“Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim”, disse Trump, confirmando um futuro encontro na próxima semana para discutir a relação entre os dois países.
Analistas do mercado, como Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, consideraram a sinalização de diálogo “muito valiosa”, abrindo caminho para a possibilidade de uma negociação sobre as tarifas comerciais.
A perspectiva de uma conversa direta entre os líderes, que não existia até então, foi vista como “extremamente positiva” para o mercado, na avaliação de Pedro Moreira, da One Investimentos.
Cenário de juros e inflação
Além da questão diplomática, a política monetária também contribuiu para o cenário. A ata da última reunião do Copom, que manteve a taxa Selic em 15%, reforçou a percepção de que os juros no Brasil continuarão altos por um tempo prolongado.
Essa dinâmica, combinada com a sinalização do Federal Reserve (Fed) de que os cortes nos juros dos EUA não estão garantidos, favorece o “carry trade” – a entrada de dólares no Brasil em busca de maior rentabilidade.
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Apesar da fala de Jerome Powell, presidente do Fed, que contrariou as expectativas de mais cortes nos próximos meses, o otimismo gerado pelo aceno diplomático entre Lula e Trump dominou o pregão e resultou em um dia de fortes ganhos para a economia brasileira.
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Foto: Ricardo Stuckert/PR
