Caso Master: Vorcaro montava grupo de imprensa para se blindar
Publicitário revela que ex-banqueiro tentou montar grupo de mídia e financiar filme sobre Bolsonaro para blindagem política.
Publicado em: 19/05/2026 às 08:34 | Atualizado em: 19/05/2026 às 08:34
Antes de ser preso e de o Banco Master sofrer liquidação pelo Banco Central (BC), o empresário Daniel Vorcaro articulou um plano para construir um conglomerado de mídia no Brasil. Detalhes dessa estratégia foram revelados pelo publicitário Thiago Miranda, cuja agência esteve diretamente envolvida nas transações financeiras e operacionais do ex-banqueiro.
De acordo com documentos apresentados por Miranda — incluindo um contrato de compra e venda datado de 19 de julho de 2024 —, um preposto de Daniel Vorcaro desembolsou R$ 17 milhões para adquirir uma fatia de 17% do portal do jornalista Léo Dias, além de participação no próprio veículo de comunicação gerido pelo publicitário.
Segundo Thiago Miranda, as intenções de Vorcaro em expandir sua influência no setor de comunicação eram explícitas e faziam parte de um projeto de consolidação institucional. Após a conclusão desse negócio milionário, o publicitário passou a trabalhar diretamente para o empresário.
Intermediação política e o filme de Bolsonaro
Além dos investimentos em portais de notícias e da contratação de influenciadores digitais para defender os interesses do banco e questionar as ações do Banco Central, a atuação de Miranda para Vorcaro estendeu-se à articulação política.
O publicitário confirmou que ficou responsável por intermediar os contatos entre o ex-banqueiro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
As tratativas tinham como objetivo discutir o financiamento e a produção do filme Dark Horse, uma obra cinematográfica idealizada em homenagem à trajetória e à eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018.
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Após vazar conversa com Flávio Bolsonaro, PF manda Vorcaro para cela comum
As revelações de Thiago Miranda agora integram uma nova frente de apuração conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga se as investidas na mídia e no setor cultural serviram como uma espécie de blindagem política e institucional para Vorcaro antes das operações que culminaram em sua prisão na Operação Compliance Zero.
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Foto: Divulgação
