Servos da canalhice

Artigo denuncia a rede de poder, omissões institucionais e conivências políticas que teriam permitido uma fraude financeira multibilionária, expondo o que o autor descreve como a degradação ética das elites e das instituições brasileiras.

Os servos da canalhice

Por Flávio Lauria*

Publicado em: 10/03/2026 às 06:02 | Atualizado em: 10/03/2026 às 06:04

Estava propenso a deixar que os articulistas de Manaus e do país, comentassem sobre o banqueiro que conseguiu a maior fraude financeira em um esquema multibilionário, e demarcou espaço, deslindando suas estratégias de poder com suas conexões com o Executivo, Legislativo e Judiciário, sem ideologia, ou seja, com políticos da esquerda e da direita envolvidos.

O enredo começou a ruir, graças a atuação da Polícia Federal e do Banco Central, mesmo com inúmeros atores, tentando blindar o “canalha” chamado Daniel Vorcaro, que na verdade tornou-se apenas um operador, tendo seus tentáculos no centro da República Os canalhas não têm passado moral a preservar. Não têm igualmente um nome a zelar. Nem muito menos estão preocupados com a opinião da sociedade a seu respeito.

São servos de sua própria canalhice. Por isso os canalhas são audaciosos. Não temem ser canalhas, desde que tirem proveito próprio de suas atitudes. É, sem dúvida, o incessante fluxo de sofisticadas hipóteses sobre a mente que, segundo a grande filósofa do século 20, a alemã Hannah Arendt, “é a mais ardilosa das propriedades do homem”. Na verdade, esse rombo milionário começou com as atitudes imprudentes e não republicanas do presidente Michel Temer, seguida da carta branca dada pelo presidiário Bolsonaro a Campos Neto, que tonificou o Master.

A ordem do dia da ética e da moral há muito vem sendo quebrada. A insegurança, o cinismo e a falta de vergonha dos nossos políticos tornam-se cada vez mais insustentáveis à leveza de Kundera – pesada segurança da liberdade. A escalada de importantes pigmeus dos nossos Três Poderes, corrupto e ladrões, assombra a sociedade.

Eles surrupiam o tesouro nacional e, como Antônio Maria, rasgam nossa carta de cidadania e zombam da nossa capacidade de raciocinar – dão asas a uma brevíssima anarquia generalizada no País, molestando os homens de bem e formando quadrilhas de criminosos em todos os segmentos. Isso sem falar nos caixas-dois e na cobertura da turma do cartel das drogas.

Ninguém vê sequer uma atitude das autoridades policiais e, pasmem, judiciárias, de cuja cartilha de leis traduzem, os julgamentos sérios em gigantescas e já folclóricas pizzas.

*autor é mestre e doutor em administração pública.

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