BR-319: mídia aponta desmatamento como ameaça aos ‘rios voadores’
Cientistas dizem que a mata a 100 km da margem da rodovia produz chuva que irriga lavouras no Centro-Oeste, Sudeste e Sul
Publicado em: 06/10/2025 às 22:17 | Atualizado em: 06/10/2025 às 22:17
Pesquisadores alertam que o asfaltamento da BR-319 pode provocar uma onda de desmatamento em uma das últimas áreas contínuas de floresta intacta da Amazônia, com impactos que vão além da região Norte. A estrada liga Manaus a Porto Velho e corta quase 900 km de floresta amazônica.
Um levantamento do grupo da meteorologista Marina Hirota, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), indica que as árvores em um raio de 100 km ao redor da rodovia são responsáveis por gerar 242 trilhões de litros de chuva por ano — cerca de 5% de toda a precipitação produzida pela Amazônia.
Essa umidade, transportada pelos chamados “rios voadores”, alimenta chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, irrigando lavouras e reabastecendo reservatórios.
Segundo o biólogo Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a degradação da floresta ao redor da BR-319 pode comprometer o equilíbrio hídrico nacional.
“A área da BR-319 é essencial para a reciclagem da água que sustenta inclusive a cidade de São Paulo”, afirma.
Ele lembra que o desmatamento pode levar a Amazônia a um ponto de não retorno, em que a floresta perderia a capacidade de se regenerar, agravando a crise climática global.
O desenrolar
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) já negou licenças para a pavimentação por considerar que o projeto carece de estudos técnicos adequados sobre seus impactos.
Embora o órgão tenha concedido uma licença prévia em 2022, ela foi suspensa pela Justiça.
Atualmente, o governo federal prepara uma avaliação ambiental estratégica para analisar os efeitos da obra, mas ainda não há previsão de conclusão do estudo.
Leia mais na reportagem de Bernardo Esteves, na Piauí.
Foto: Divulgação/Dnit
