Brasil dá exemplo aos EUA ao condenar Bolsonaro, diz artigo do New York Times
Texto dos professores Steven Levitsky e Filipe Campante afirma que instituições brasileiras foram mais firmes que as americanas na defesa da democracia
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/09/2025 às 15:48 | Atualizado em: 12/09/2025 às 15:48
Um artigo publicado nesta sexta-feira (12) pelo jornal The New York Times afirma que o Brasil obteve sucesso onde os Estados Unidos fracassaram ao condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Assinado pelos professores Steven Levitsky, da Universidade de Harvard, e Filipe Campante, da Universidade Johns Hopkins — autores do livro Como as Democracias Morrem — o texto compara o julgamento de Bolsonaro ao caso do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
“Apesar de todas as suas falhas, a democracia brasileira é hoje mais saudável do que a americana. Conscientes do passado autoritário do país, as autoridades judiciais e políticas brasileiras não deram a democracia por garantida. Seus pares americanos, por outro lado, fracassaram na tarefa. Em vez de minar os esforços do Brasil para defender sua democracia, os americanos deveriam aprender com ela”, escreveram os especialistas.
Segundo o artigo, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro responsabilizou Bolsonaro pela tentativa de anular o resultado das eleições, o Senado e os tribunais dos EUA “tragicamente falharam” em levar Trump à Justiça após a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
“O STF brasileiro fez o que o Senado dos EUA e os tribunais federais tragicamente falharam em fazer: levar à Justiça um ex-presidente que atacou a democracia”,
diz o texto publicado pelo NYT.
Tarifas e pressões
Levitsky e Campante argumentam que as sanções e tarifas impostas pelo governo Trump ao Brasil, além das punições direcionadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, representam uma guinada na política dos EUA para a América Latina, comparável às intervenções antidemocráticas do período da Guerra Fria.
“Em um movimento que evoca algumas das intervenções mais antidemocráticas dos EUA na Guerra Fria, os Estados Unidos estão tentando subverter uma das democracias mais importantes da América Latina”, afirmam os autores.
Democracias precisam ser defendidas
Os professores alertam ainda que as democracias não se protegem sozinhas e relembram o avanço de regimes autoritários na Europa entre 1920 e 1930, como o fascismo italiano e o nazismo alemão.
“As democracias não podem se defender sozinhas. Mesmo os freios constitucionais mais bem elaborados são meros pedaços de papel, a menos que os líderes os exerçam”, escreveram, reforçando que “inúmeras evidências” da Polícia Federal indicaram conspiração de Bolsonaro e aliados militares para impedir a posse de Lula.
“Após os eventos de 8 de janeiro de 2023 deixarem claro que Bolsonaro representava uma ameaça à democracia, a Justiça brasileira agiu agressivamente para responsabilizá-lo — e impedir seu retorno ao poder”, destacaram.
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Crítica ao “novo governo Trump”
O artigo do New York Times também faz críticas duras ao “autoritarismo” do novo governo Trump. Segundo os autores, menos de nove meses após o início de seu segundo mandato, os Estados Unidos “provavelmente já cruzaram a linha do autoritarismo competitivo”.
Eles acusam Trump de instrumentalizar agências governamentais para punir críticos, ameaçar rivais, intimidar empresas, imprensa, universidades e organizações civis, além de desrespeitar a Constituição.
Para Levitsky e Campante, a experiência brasileira demonstra que instituições fortes podem conter líderes autoritários e serve como alerta para democracias que ainda acreditam estar imunes a retrocessos.
*Com informações da Agência Brasil
Foto: Alan Santos/PR
