Brasil e EUA alinham pauta comercial e segurança em encontro no G7

Chanceler Mauro Vieira e o secretário Marco Rubio buscam conter ofensiva bolsonarista nos canais oficiais em meio a tensões tarifárias.

Brasil e EUA alinham pauta comercial e segurança em encontro no G7

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 27/03/2026 às 11:39 | Atualizado em: 27/03/2026 às 11:39

Em uma ofensiva diplomática para preservar a relação institucional entre Brasília e Washington, o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, protagonizaram diálogos estratégicos nesta sexta-feira.

Os encontros ocorreram nos bastidores da reunião de chanceleres do G7, realizada em solo francês, marcando um esforço do Itamaraty para estabilizar a agenda bilateral diante de pressões externas.

Embora não tenha sido agendada uma reunião formal a portas fechadas, Vieira e Rubio conversaram em duas ocasiões distintas: a primeira antes da tradicional foto oficial do grupo e a segunda após a sessão temática da manhã.

Foco nas tarifas e no crime organizado

O núcleo da conversa girou em torno de dois eixos críticos para o governo brasileiro:

  1. Revisão tarifária: os diplomatas atualizaram o status das negociações técnicas que visam a retirada de sobretaxas que ainda pesam sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
  2. Segurança Pública: o avanço da cooperação no combate ao crime organizado transnacional, tema que Rubio, conhecido por sua postura rigorosa na política externa, prioriza na agenda hemisférica.

O “fator Bolsonaro” na diplomacia

A movimentação de Vieira carrega um forte componente político interno. O governo brasileiro corre para consolidar os canais oficiais de interlocução como forma de blindar a relação com a Casa Branca contra a influência do lobby bolsonarista.

Enquanto o Itamaraty aposta na diplomacia técnica, os filhos do ex-presidente, Flávio e Eduardo Bolsonaro, participam neste fim de semana de um evento da extrema direita em Dallas, no Texas.

O objetivo da ala bolsonarista é pressionar o governo americano a classificar facções do narcotráfico brasileiro como entidades terroristas — uma medida que, na visão de especialistas, poderia abrir brechas para sanções ou intervenções que o governo Lula tenta evitar.

Ao priorizar o diálogo direto com Rubio no G7, Mauro Vieira busca assegurar que as decisões de Estado permaneçam sob o domínio da diplomacia profissional, mitigando possíveis ruídos gerados pela articulação paralela da oposição em solo americano.

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