Entrada de Caiado na disputa asfixia Flávio Bolsonaro e ajuda Lula

Ao fragmentar o apoio ruralista, a candidatura de Caiado retira a exclusividade de Flávio Bolsonaro no setor e beneficia Lula.

Publicado em: 05/04/2026 às 15:40 | Atualizado em: 05/04/2026 às 15:46

O tabuleiro presidencial de 2026 sofreu uma movimentação que, nos bastidores do Palácio do Planalto, é celebrada como um presente estratégico para o projeto de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A oficialização da pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), atua como uma divisão no setor mais fiel ao bolsonarismo: o agronegócio. O resultado prático é o enfraquecimento imediato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que via no campo sua principal fortaleza eleitoral.

Dividir para enfraquecer

Até a semana passada, a estratégia de Flávio Bolsonaro era de “voto de manada” no setor produtivo. Com a ausência de Tarcísio de Freitas na disputa, o herdeiro político de Jair Bolsonaro esperava herdar por gravidade o apoio unânime dos ruralistas. No entanto, Caiado — médico, pecuarista e fundador da UDR — possui um “DNA do agro” que Flávio jamais terá.

Para Lula, a presença de Caiado é o cenário ideal:

Fragmentação da Direita: O apoio financeiro e político do setor, antes canalizado para um único nome de oposição, agora será disputado centavo a centavo.

Paralisia de Flávio: Lideranças que já estavam prontas para declarar apoio ao senador do PL agora “pisaram no freio”. A ordem no setor é ganhar tempo, o que retira o ímpeto da pré-campanha bolsonarista.

O “Padrinho” contra o “Herdeiro”

A vantagem de Caiado sobre Flávio não é apenas ideológica, mas de resultados práticos.

Enquanto Flávio tenta se sustentar no legado do pai, Caiado apresenta números: um crescimento de 23% nas exportações de grãos em Goiás e a extinção da “taxa do agro”.

O marqueteiro Paulo Vasconcelos já prepara o terreno para apresentar Caiado como o verdadeiro “padrinho do agro”, deixando Flávio na incômoda posição de um herdeiro que precisa provar serviço.

Essa divisão é música para os ouvidos do PT.

Enquanto a direita se digladia pelo controle do Centro-Oeste e do Sul, Lula ganha fôlego para tentar reduzir sua própria rejeição no setor, sem a pressão de enfrentar um bloco monolítico e unido.

O Desespero do PL e a Cartada de Tereza Cristina

Sentindo o golpe, o entorno de Flávio Bolsonaro já começou a operar em modo de danos. O senador Rogério Marinho tenta minimizar o impacto, mas a verdade é que o PL agora corre para tentar fechar com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice. A ideia é usar a “Musa do Agro” para estancar a sangria de apoio que foge em direção a Caiado.

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Se o agronegócio chegar dividido ao primeiro turno entre a tradição de Caiado e o sobrenome de Flávio, o grande vitorioso será Lula, que verá seus adversários mais vorazes gastando energia e recursos um contra o outro antes mesmo da batalha final.

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Foto: Divulgação