Racha entre Malafaia, Damares e Valadão expõe crise na ala evangélica

Lideranças evangélicas rompem alinhamento histórico com ataques públicos e divergências sobre candidaturas e indicações judiciais.

Publicado em: 24/01/2026 às 11:20 | Atualizado em: 24/01/2026 às 11:20

O cenário de desunião entre lideranças evangélicas brasileiras atingiu um novo patamar de exposição pública. No centro do conflito estão o pastor Silas Malafaia, que critica a falta de força eleitoral de aliados e cobra nomes em denúncias; a senadora Damares Alves, que aponta irregularidades em instituições religiosas via CPMI do INSS; e o pastor André Valadão, que reagiu agressivamente ao ter sua igreja citada pela parlamentar. A troca de ofensas revela uma cúpula fragmentada, cujas divergências se estendem da sucessão de Jair Bolsonaro à nomeação de Jorge Messias ao STF.

Silas Malafaia: o crítico da estratégia eleitoral

O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo adotou uma postura de confronto direto. Chamou Damares de “leviana” por sugerir esquemas em igrejas sem citar nomes e foi enfático ao desencorajar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificando o senador como alguém sem “musculatura” política. Malafaia é visto por opositores internos, como o deputado Otoni de Paula, como uma figura que tenta intimidar colegas para manter sua hegemonia política.

Damares Alves: a denunciante dos bastidores

A senadora do Republicanos-DF rompeu a “lei do silêncio” ao falar em falcatruas envolvendo grandes igrejas na CPMI do INSS. Após ser cobrada por Malafaia, ela divulgou nomes de pastores e instituições na mira da comissão, sugerindo que o crítico deveria “orar um pouco”. No campo eleitoral, Damares diverge de Malafaia ao declarar apoio irrestrito a Flávio Bolsonaro, posicionando-se como ponte entre o clã presidencial e a base religiosa.

André Valadão: a reação defensiva

André Valadão, citado por Damares no escândalo envolvendo o Banco Master e o pastor Fabiano Zettel (seu cunhado, já afastado), a Igreja Batista da Lagoinha reagiu. O pastor classificou as falas da senadora como “fofoca” e “língua do capeta”, defendendo a autonomia das instituições e atacando a exposição pública de conflitos internos do segmento.

Divergências além da rixa pessoal

O racha evangélico é alimentado por outros dois fatores críticos:

Sucessão presidencial: enquanto Damares apoia Flávio Bolsonaro, nomes de peso como Malafaia e outros líderes preferem a chapa Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.

O fator Jorge Messias: a indicação do AGU ao STF gerou cizânia. Lideranças como o bispo Samuel Ferreira apoiam o nome “evangélico”, enquanto o senador Magno Malta repele a indicação, alegando conveniência política por parte do indicado de Lula.

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