Flávio Bolsonaro prega ‘batalha existencial’ contra Lula no Texas
Em discurso na CPAC Texas, senador alinha destino de Bolsonaro ao de Trump e classifica Lula como ameaça direta aos interesses norte-americanos
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 28/03/2026 às 22:15 | Atualizado em: 28/03/2026 às 22:15
Em um movimento estratégico para internacionalizar a polarização política brasileira, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) subiu ao palco da CPAC, a maior conferência conservadora do mundo, para enviar um alerta direto ao coração do movimento trumpista: o futuro da Casa Branca passa, inevitavelmente, pelas urnas do Brasil em outubro.
Durante cerca de 15 minutos, Flávio não falou apenas como um parlamentar brasileiro, mas como um enviado de uma coalizão ideológica transnacional.
Ao discursar em inglês para uma plateia de milhares de entusiastas do ex-presidente Donald Trump, o senador elevou o tom, transformando a disputa doméstica contra Lula da Silva (PT) em uma “encruzilhada” para a segurança nacional dos Estados Unidos.
A narrativa do “aliado vs. antagonista”
O ponto central da fala de Flávio foi a construção de uma dicotomia geopolítica. Sem nuances, o senador apresentou o atual cenário brasileiro como uma escolha binária para Washington:
- O aliado: uma continuidade da direita no poder, espelhando as políticas de Trump.
- O antagonista: um governo Lula que, segundo o senador, privilegiaria alianças com a China, Cuba e o Irã em detrimento dos interesses americanos.
“Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível”, declarou Flávio, sob aplausos.
O senador buscou tocar em feridas sensíveis do eleitorado republicano, acusando o ex-presidente Lula de fazer lobby para facções criminosas e rotulando-o como um “socialista condenado por corrupção”.
O espectro de maduro e a conexão Trump
Para selar a identificação com a audiência, Flávio utilizou recursos visuais de forte apelo emocional. Ele exibiu uma fotografia de Lula abraçado ao líder venezuelano Nicolás Maduro — uma figura que serve como o principal vilão da política externa para a direita americana, especialmente após a operação militar que resultou na sua remoção de Caracas e subsequente prisão em Nova York.
Ao traçar paralelos entre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, e a de Donald Trump, Flávio reforçou a ideia de que ambos são vítimas de um sistema globalista que tenta silenciar líderes “patriotas”.
Impacto eleitoral e geopolítico
A estratégia de Flávio na CPAC visa consolidar o apoio financeiro e político da direita internacional, num momento em que as pesquisas no Brasil indicam um empate técnico entre ele e Lula.
Ao colocar o Brasil como a última linha de defesa contra o avanço da influência chinesa e iraniana na América Latina, o senador tenta garantir que o movimento conservador americano veja a vitória do PL não apenas como uma questão brasileira, mas como uma vitória para o próprio projeto de poder de Trump.
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