Construído em intensa parceria dos governos Lula e Eduardo Braga (MDB), o gasoduto Coari-Manaus que deveria baratear o custo da energia no estado, chegar às fábricas do polo industrial, às casas e aos carros dos manauaras, está na mira dos contratos bilionários que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende revelar falcatruas.

“Houve transferência de renda em falcatruas, para alianças políticas, para ajudar amigos do rei, empresários que chegam perto do poder econômico. O povo brasileiro cansou de assistir esse desvirtuamento, usando a máquina de crédito do Estado”.

Guedes falou isso ontem de manhã na posse dos presidentes do Banco do Brasil, Rubem Novaes, BNDES, Joaquim Levy, e Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, no Palácio do Planalto.

A construção das obras do gasoduto Coari-Manaus será um dos primeiros a serem investigados, revelou nesta terça-feira, dia 8, o jornal o Estado de S. Paulo.

De acordo com levantamento do matutino, o contrato dessa obra é alvo preferencial de Guedes porque recebeu quase R$ 2,5 bilhões do BNDES, foi alvo de 26 irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e está nas apurações da Lava Jato.

 

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Gás que não chega

A cara construção do gasoduto Coari-Manaus deu ao amazonense a falsa sensação de que um dia teria o gás de cozinha mais barato do país e, quem sabe até, chegando aos fogões por meio de encanamento.

Passados dez anos, nada disso aconteceu. Hoje a dona de casa precisa desembolsar, na capital, mais de R$ 70 pela botija de 13 quilos. No interior do Amazonas, esse preço passa de 80 reais.

É algo totalmente incompreensível para o habitante do estado que detém a maior reserva de gás natural do país, que produz diariamente 1,2 mil toneladas de gás de cozinha, ou o mesmo que 115 mil botijas de 13 quilos.

O gasoduto construído no governo do hoje senador Eduardo Braga (MDB) tem 663 quilômetros para fazer o gás da província de Urucu diretamente na Refinaria de Manaus (Reman).

 

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Foto: Domingos Tadeu/Presidência da República (10/09/2008)