Governador e prefeito de SP bancavam 85% do consignado do banco da Universal
Documentos internos mostram dependência de servidores paulistas enquanto Digimais acumulava alertas financeiros.
Publicado em: 24/06/2026 às 11:34 | Atualizado em: 24/06/2026 às 11:36
Enquanto enfrentava rebaixamentos de risco e questionamentos sobre sua saúde financeira, o banco Digimais encontrava nos servidores paulistas sua principal fonte de expansão. Documentos internos da instituição mostram que 85% da carteira de convênios para empréstimos consignados estava concentrada na Prefeitura de São Paulo e no Governo do Estado.
A gestão municipal respondia sozinha por 60% das operações. Já o funcionalismo estadual representava outros 25%. Na prática, a maior aposta do banco ligado ao bispo Edir Macedo estava nas folhas de pagamento dos servidores paulistas.
Além da capital, o Digimais ampliou sua presença em diversas cidades do estado. Guarulhos, Ubatuba, São Sebastião, Praia Grande, Pindamonhangaba, Tupã e Tambaú aparecem entre os municípios que autorizaram operações da instituição.
Ao mesmo tempo, o banco acelerava uma mudança de estratégia. Em vez de depender principalmente do financiamento de veículos, passou a priorizar o mercado de crédito consignado.
Alertas cresceram
A expansão ocorreu justamente quando os sinais de alerta começaram a surgir.
Em 2026, a agência Moody’s rebaixou a classificação de risco do Digimais. O relatório apontou aumento da exposição a ativos considerados mais arriscados e destacou fragilidades na estrutura financeira da instituição.
Além disso, auditores registraram ressalvas sobre bilhões de reais aplicados em fundos de investimento que não possuíam documentação suficiente para análise completa.
Mais tarde, os questionamentos chegaram aos órgãos de controle.
O Banco Central passou a investigar operações realizadas pela instituição. Em seguida, a Polícia Federal apontou suspeitas de gestão fraudulenta, irregularidades contábeis e operações financeiras consideradas vedadas pela legislação.
Segundo os investigadores, parte dos ativos do banco teria sido registrada por valores muito superiores aos custos efetivamente desembolsados.
Questão em aberto
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável.
Quais critérios foram adotados para permitir que a instituição ampliasse sua atuação sobre as folhas de pagamento de milhares de servidores públicos?
Os documentos mostram que a expansão do Digimais ocorreu justamente no período em que alertas financeiros, rebaixamentos de risco e questionamentos regulatórios se acumulavam sobre o banco.
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Foto: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP
