Dono da Universal é suspeito de fraudar balanço do banco Digimais

Para Polícia Federal, evangélico Edir Macedo queria mostrar que o banco não estava em falência.

Publicado em: 23/06/2026 às 14:04 | Atualizado em: 23/06/2026 às 14:06

Uma operação da Polícia Federal colocou nesta terça-feira (23) o banco Digimais no centro de uma investigação sobre supostas fraudes contábeis e irregularidades financeiras. A apuração mira dirigentes da instituição ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário da Record.

Batizada de Operação Miragem, a ação cumpre nove mandados de busca e apreensão e conta com autorização judicial para bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos investigados, além da quebra de sigilos bancário e fiscal.

Segundo a PF, há indícios de que demonstrativos financeiros e registros internos teriam sido manipulados para ocultar a real situação econômica do banco e transmitir aos órgãos de controle uma imagem de estabilidade que não corresponderia à realidade.

Alvos

Entre os alvos estão diretores, conselheiros e executivos ligados ao Digimais e à gestora ID Serviços Financeiros, responsável por operações vinculadas à instituição.

As investigações envolvem suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em documentos contábeis e realização de operações financeiras proibidas pela legislação do sistema financeiro nacional.

A situação do Digimais já vinha sendo acompanhada pelo mercado. Em abril, o banco iniciou negociações para uma possível venda ao BTG Pactual. Nos últimos dias, porém, a operação passou a enfrentar incertezas após o avanço das investigações e o agravamento dos questionamentos sobre a saúde financeira da instituição.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a existência de aproximadamente R$ 3 bilhões aplicados em fundos cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por falta de documentação suficiente, segundo ressalvas registradas por auditores independentes no balanço mais recente do banco.

Nem Edir Macedo nem o Digimais haviam se manifestado sobre a operação até a publicação desta reportagem.

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Foto: Reprodução/YouTube