Le Monde critica Macron e vê isolamento da França em acordo com Mercosul
Editorial classifica resistência francesa ao acordo com Mercosul como vexame diplomático e erro estratégico.
Publicado em: 07/01/2026 às 17:13 | Atualizado em: 07/01/2026 às 17:13
Para o Le Monde, a tentativa de Paris de liderar uma minoria de bloqueio contra o tratado com o Mercosul ruiu após o apoio da Itália ao projeto. O jornal argumenta que a França fez uma “aposta diplomática equivocada” ao focar excessivamente no setor agrícola, ignorando o cenário geopolítico global.
O editorial enfatiza que, em um mundo marcado pelo “imperialismo dos Estados Unidos” e pela força das exportações chinesas, a União Europeia não pode se dar ao luxo da imobilidade. O jornal defende que ir contra o acordo é um tiro no pé, pois:
Afeta a autonomia da UE que precisa de parceiros como o Mercosul para sustentar o multilateralismo.
Gera vexame, pois a assinatura iminente, apesar dos esforços do presidente Emmanuel Macron, é vista como um revés pessoal para o presidente, que prometeu barrar o tratado.
O veículo acusa o governo de esconder os benefícios econômicos reais e de permitir que “fantasmas” sobre uma invasão de carne sul-americana (limitada a apenas 1,5% do consumo europeu) dominassem o debate.
Perda nos dois frontes
A avaliação é que a França perderá tanto no campo econômico quanto no político. Ao não preparar o país para a realidade do acordo, Macron estaria entregando munição para partidos que buscam instrumentalizar a crise no campo.
O isolamento diplomático de Paris na Europa, segundo o Le Monde, deixa um sentimento de impotência política que terá efeitos deletérios na opinião pública francesa.
Em suma, o editorial conclui que a França conduziu o tema da “pior maneira possível”, transformando um avanço comercial em um psicodrama nacional por falta de coragem para encarar a realidade global.
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Foto: Fabio Charles Pozzebom/Agência Brasil
