Moeda da China cresce, dólar de Trump perde espaço e Brasil pode lucrar

Esse rearranjo global pode significar um real mais valorizado e condições mais favoráveis para o comércio exterior

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 18/09/2025 às 10:40 | Atualizado em: 18/09/2025 às 10:40

ao Valorização do yuan, moeda da China impulsiona moedas emergentes, faz o dólar perder espaço e abre espaço para o real brasileiro ganhar força em meio ao cenário de desdolarização global.

Com isso, a recente valorização do yuan e os sinais de cortes de juros nos Estados Unidos, de Donald Trump, criaram um cenário favorável às moedas emergentes.

Para analistas, o movimento abre espaço para ganhos do real, à medida que a China fortalece sua moeda e o dólar perde terreno no mercado internacional.

Segundo o site Click Petróleo e Gás, na reportagem de Alisson Ficher, a economia global vive um rearranjo cambial que pode beneficiar países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

Nesse sentido, a valorização do yuan — moeda da China — e a expectativa de afrouxamento monetário nos Estados Unidos vêm reforçando um movimento de apreciação das divisas emergentes.

Segundo analistas, sinais recentes da política cambial chinesa apontam para um renminbi mais firme. Em 9 de setembro, o Banco do Povo da China (PBOC) fixou a taxa de referência em 7,1008 por dólar, o patamar mais forte desde novembro de 2024. O gesto foi interpretado pelo mercado como uma mudança de postura do governo de Pequim, após um período focado em estabilizar o câmbio.

Levantamentos mostram que oscilações do yuan têm impacto direto sobre as moedas de países em desenvolvimento. Em agosto, a correlação de 30 dias entre o par dólar–yuan e o MSCI Emerging Markets Currency Index atingiu 0,59, o nível mais alto desde maio de 2024.

Na prática, por exemplo, variações do yuan costumam ser acompanhadas por moedas como o real, o baht tailandês e o peso mexicano, em magnitude semelhante.

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Moedas emergentes

Além disso, o ambiente internacional tende a favorecer moedas emergentes. A perspectiva de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) reduz a atratividade do dólar, enquanto países exportadores de commodities, como o Brasil, podem ver entrada maior de capital externo.

Outro fator em jogo é a desdolarização das reservas globais. Dados recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que a participação do dólar nas reservas internacionais caiu para 57,7% no primeiro trimestre de 2025, o menor nível em décadas. Embora a moeda norte-americana permaneça dominante, cresce o espaço para o euro, o ouro e moedas emergentes.

Na China, o movimento é ainda mais evidente. No primeiro semestre de 2025, a participação do renminbi nas receitas e pagamentos transfronteiriços de empresas e pessoas físicas superou 53%, ultrapassando pela primeira vez a marca de 50%.

Dessa maneira, o avanço reflete acordos bilaterais, maior uso do sistema CIPS e diretrizes oficiais para ampliar as liquidações em moeda local.

Para o Brasil, portanto, esse rearranjo global pode significar um real mais valorizado e condições mais favoráveis para o comércio exterior.

“Um yuan mais forte tende a impulsionar moedas emergentes e aumentar o apetite por risco, beneficiando países como o Brasil”, avaliam especialistas.

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Foto: Banco Popular da China