Mudança no sistema eleitoral: centrão mira influência e controle de votos
Proposta defendida por Hugo Motta e relatada por Domingos Neto retoma projeto de José Serra e divide parlamentares sobre impactos do novo modelo
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/11/2025 às 11:22 | Atualizado em: 09/11/2025 às 11:22
O conhecido Centrão, formado por partidos de centro e de direita, com maioria no Congresso Nacional, voltou a articular uma mudança no sistema eleitoral brasileiro.
O objetivo público é aproximar eleitores e parlamentares, mas nos bastidores as motivações revelam uma disputa por poder dentro das legendas. Como informa o ICL Notícias.
A proposta em discussão é a adoção do “distrital misto”, modelo que combina voto proporcional e majoritário.
Defensores do sistema afirmam que ele traria maior sintonia entre representantes e representados e ajudaria a frear a entrada de criminosos na política, discurso que ganhou força após a megaoperação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro.
Nos bastidores, contudo, parlamentares admitem que o novo modelo não teria impacto real sobre a infiltração do crime organizado no sistema político — e alguns avaliam que, na prática, poderia até facilitar o ingresso de candidatos ligados a facções em disputas locais.
Segundo congressistas ouvidos pela Folha, o centrão vê na proposta uma oportunidade para fortalecer as direções partidárias, reduzir o peso dos chamados “puxadores de voto” — muitos deles influenciadores digitais e figuras com discurso antissistema — e ampliar as chances de crescimento de suas bancadas.
A defesa pública do distrital misto foi feita pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que designou o deputado Domingos Neto (PSD-CE) como relator da proposta.
A movimentação recebeu elogios do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que historicamente apoia mudanças que reforcem a governabilidade e o papel dos partidos.
O texto que servirá de base é o Projeto de Lei 9.212/2017, de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP), já aprovado no Senado, mas parado desde então na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
De acordo com o cronograma preliminar, mesmo que seja aprovado, o novo modelo não poderá ser aplicado nas eleições de 2026, por causa do princípio da anualidade.
A previsão é que passe a valer em 2028, nas eleições municipais de cidades com mais de 200 mil habitantes, e nas eleições gerais de 2030.
Domingos Neto afirmou que o texto “já está pronto” e que aguarda apenas a definição da data de votação.
Portanto, nos bastidores, líderes partidários avaliam que a proposta deve ganhar força nas próximas semanas, à medida que a pauta política se estabilize após as votações do Orçamento e das reformas econômicas.
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Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
