PCC e Comando Vermelho na mira dos EUA como organizações terroristas
Classificação articulada pelo governo Trump coloca facções brasileiras no mesmo patamar de grupos como Al-Qaeda.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/03/2026 às 05:56 | Atualizado em: 10/03/2026 às 09:56
O governo dos Estados Unidos (EUA) deve anunciar, nos próximos dias, a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).
A medida, articulada pela gestão de Donald Trump, marca uma escalada sem precedentes na política externa americana para a América Latina e coloca o Brasil no centro de uma nova doutrina de “guerra ao narcoterrorismo”. A informação foi publicada pelo UOL.
A designação não é apenas simbólica. Ao classificar facções criminosas como terroristas, Washington altera o enquadramento jurídico dessas organizações, permitindo que o governo americano utilize contra elas ferramentas tradicionalmente reservadas para grupos como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda.
O movimento abre brecha jurídica para que os EUA realizem operações de inteligência e, em casos extremos, ataques cirúrgicos contra alvos considerados “narcoterroristas”, mesmo em território estrangeiro.
Divergência diplomática e pressão regional
O anúncio iminente aprofunda o abismo diplomático entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. O governo brasileiro tem reiterado que, tecnicamente, o PCC e o CV não se enquadram na definição de terrorismo da legislação nacional, que exige motivação política ou ideológica — algo ausente no modelo de negócio puramente lucrativo das facções.
No entanto, Washington encontrou eco em governos vizinhos. Recentemente, a Argentina de Javier Milei e o Paraguai já oficializaram o reconhecimento desses grupos como terroristas. Internamente, setores da oposição brasileira e governadores como Cláudio Castro (Rio de Janeiro) enviaram relatórios aos EUA corroborando a tese de que a atuação das facções já atingiu níveis de insurgência terrorista.
“Tratar crime organizado como terrorismo facilita a posição dos Estados Unidos como ‘polícia universal’, mas ignora as nuances do direito internacional”, alertam especialistas em segurança pública.
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Foto: arquivo/Agência Brasil
