PF investiga voo de empresário das bets com cúpula da Câmara

Investigação sobre voo de luxo com parlamentares e empresário foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Cúpula da Câmara concentra R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão

Publicado em: 28/04/2026 às 18:06 | Atualizado em: 28/04/2026 às 18:06

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um inquérito da Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo que contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do senador Ciro Nogueira (PP-PI), e dos deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

A investigação foi remetida ao STF após a PF constatar que os parlamentares acompanhavam o empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, sócio de plataformas de apostas on-line e alvo da CPI das Bets.

Irregularidade no Desembarque

De acordo com o relatório da PF, o voo ocorreu em abril de 2025, partindo da ilha de Saint Martin, no Caribe, com destino ao aeroporto de Catarina, em São Roque (SP). Imagens de segurança flagraram um procedimento irregular:

Um auditor fiscal, Marco Canella — já indiciado anteriormente por facilitar contrabando —, permitiu que um funcionário do empresário passasse com sete volumes de bagagem por fora do raio-X.

Embora os parlamentares tenham passado suas malas pelo procedimento normal, a PF investiga se algum item nas bagagens não vistoriadas pertencia ao grupo.

A PF justificou o envio ao STF por considerar “temerária” a continuidade das investigações sem a supervisão da Corte, dado o possível envolvimento de autoridades com foro privilegiado.

Posicionamento das Partes

Hugo Motta: Afirmou em nota que cumpriu todos os protocolos da legislação aduaneira e aguardará a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fernando Oliveira Lima: O empresário alegou que os itens pertenciam ao comandante do voo e que o desembarque seguiu o processo normal.

Outros envolvidos: Ciro Nogueira, Doutor Luizinho, Isnaldo Bulhões e o auditor Marco Canella ainda não se manifestaram sobre o caso.

O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator do inquérito no STF e encaminhou os autos para análise da PGR, que decidirá se há indícios suficientes para a abertura formal de investigação contra os parlamentares.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil