Plano de Lula de transporte público grátis ganha força junto ao trabalhador

Estudo aponta que tarifa zero pode gerar impacto semelhante ao Bolsa-Família ao ampliar renda disponível da população trabalhadora

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Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 06/05/2026 às 22:05 | Atualizado em: 06/05/2026 às 22:05

A proposta de tarifa zero no transporte público começa a ganhar espaço no debate nacional como uma das principais bandeiras sociais do governo federal, ao lado da discussão sobre o fim da escala 6×1.

Um estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que a gratuidade no transporte coletivo das capitais brasileiras poderia movimentar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia.

Segundo a pesquisa, a medida teria potencial redistributivo semelhante ao do Bolsa-Família ao liberar renda hoje comprometida com passagens de ônibus, metrôs e trens urbanos.

O cálculo considera que parte significativa do orçamento das famílias trabalhadoras, sobretudo das periferias, é consumida pelo custo diário do deslocamento.

Os pesquisadores estimam que, descontadas gratuidades já existentes, como para idosos e estudantes, a chamada “injeção real” na economia seria de R$ 45,6 bilhões anuais.

O dinheiro deixaria de ser gasto com tarifas e poderia circular em setores como alimentação, farmácia, comércio e serviços.

Transporte vira pauta social e política

A discussão sobre tarifa zero deixou de ser tratada apenas como tema de mobilidade urbana e passou a integrar o debate econômico e social do país.

O governo do presidente Lula da Silva já indicou que estuda modelos de viabilidade financeira para ampliar políticas de gratuidade no transporte coletivo.

A pauta vem sendo bem recebida por movimentos urbanos, sindicatos e trabalhadores de baixa renda, especialmente em grandes centros urbanos onde o custo do transporte pesa diretamente no orçamento familiar.

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O estudo compara o potencial econômico da tarifa zero ao impacto histórico do Bolsa-Família nas regiões metropolitanas.

Enquanto o programa de transferência de renda movimentaria cerca de R$ 57,9 bilhões nesses territórios, a gratuidade no transporte poderia alcançar R$ 60,3 bilhões, segundo os pesquisadores.

A defesa da tarifa zero surge no mesmo momento em que cresce o debate nacional sobre o fim da escala 6×1, outra pauta associada à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora.

Nos bastidores de Brasília, aliados do governo avaliam que temas ligados à qualidade de vida urbana, redução do custo de vida e ampliação da renda indireta tendem a ganhar protagonismo no debate político até as eleições de 2026.

Os autores da pesquisa defendem que o transporte público gratuito pode funcionar como uma espécie de “salário indireto”, reduzindo desigualdades sociais e ampliando o acesso da população ao trabalho, estudo, lazer e serviços públicos.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República