Rejeitados 307 pedidos de anistia de camponeses da Guerrilha do Araguaia
No episódio, teriam morrido 67 guerrilheiros e 31 camponeses entre as décadas de 1960 e 1970.
Publicado em: 19/02/2020 às 06:00 | Atualizado em: 19/02/2020 às 00:53
Com um voto do relator em defesa da repressão dos militares na Guerrilha do Araguaia, a Comissão da Anistia rejeitou 307 pedidos de anistia feitos por camponeses.
Eles alegavam ter sido alvo de perseguição política durante o período em que o Exército combateu militantes do PCdoB no interior do Pará.
Os casos foram julgados em bloco, nesta terça-feira, dia 18, na Comissão de Anistia. Em seu voto, o relator do caso, Henrique Araújo, defendeu a ação dos militares.
No episódio, teriam morrido 67 guerrilheiros e 31 camponeses.
“A guerrilha do Araguaia não foi movimento legal e nem legítimo de oposição ao regime de 64, mas sim uma luta armada cuja repressão não configura perseguição política, mas defesa do Estado e da sociedade”, disse o relator.
De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, a Guerrilha do Araguaia foi um movimento de resistência à ditadura militar entre os anos de 1967 e 1974.
Inspirados na Revolução Cubana e na experiência chinesa, militantes do PCdoB decidiram instalar um foco de guerrilha na selva amazônica.
Após alguns anos resistindo a ações do Exército, o grupo foi dizimado pelos militares em 1974.
Os processos rejeitados pela Comissão da Anistia, no entanto, se referiam a camponeses que viviam na região do Araguaia durante o episódio.
Segundo os processos, eles foram alvo de perseguição, maus-tratos e tortura durante o período. Muitos alegam que foram presos ilegalmente e utilizados como guias pelos militares na caça aos guerrilheiros.
Leia matéria exclusiva do jornalista Leandro Prazeres para O Globo.
Foto: Reprodução/Conexão Tocantins
