Senadores do PT propõem mais R$ 8 no salário mínimo de 2019

Publicado em: 12/02/2019 às 19:00 | Atualizado em: 12/02/2019 às 19:00

Os senadores Paulo Rocha (PT-AC) e Jean Paul Prates (PT-RN) propõem que este ano o salário mínimo seja de R$ 1.006, como aprovou o Congresso Nacional na Lei Orçamentária Anual.

Os dois petistas (foto) apresentaram projeto de lei nesse sentido que contraria decisão do presidente Jair Bolsonaro, que decretou, no início de janeiro, o valor de R$ 998.

O texto (PL 547/2019) será inicialmente analisado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), conforme publicou a Agência Senado, nesta terça-feira, dia 12.

A política de valorização do salário mínimo adotada por meio da Lei 13.152, de 2015, considera no cálculo do reajuste o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes e a variação da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do ano anterior.

Para o salário mínimo de 2019, portanto, a fórmula soma o resultado do PIB de 2017 (alta de 1%) e o INPC de 2018.

Como o dado oficial do índice só é divulgado quando se encerra o ano, no cálculo foi usada uma estimativa para propor o aumento.

A lei diz ainda que uma possível diferença do INPC estimado e do valor oficial divulgado posteriormente deve ser compensada no próximo reajuste do mínimo.

De acordo com Paulo Rocha e Jean Paul Prates, o valor de R$ 998 peca por não contemplar o resíduo do INPC de 2017.

O reajuste concedido pelo ex-presidente Michel Temer em 2017 para o salário em vigor em 2018 (de 1,81%) ficou abaixo do INPC de 2017 (2,07%).

No cálculo que os autores fazem, o valor do mínimo deveria ser de R$ 1.000.

Portanto o Decreto 9.661 não atende o que dispõe a Lei 13.152, argumentam.

Por isso, os autores da proposta defendem que seja aplicado o valor previsto anteriormente.

 

Teto de gastos

Afinal, o impacto orçamentário do reajuste de R$ 1.006 já foi absorvido pelo Orçamento de 2019, pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela Emenda Constitucional 95 (o chamado Teto de Gastos) e contribuiria para a retomada do crescimento e a geração de renda.

“Não há óbices para que o Poder Executivo mantenha o valor previsto na Lei Orçamentária anual, aprovada pelo Congresso Nacional, sobretudo diante do aumento recente do número de pessoas em situação de pobreza e dos altos índices de desemprego”, explicaram no texto do projeto.

O argumento utilizado pelo governo de Jair Bolsonaro para reduzir o valor do mínimo para 2019 é que as estimativas de inflação estavam superdimensionadas.

 

Foto: Pedro França/Agência Senado