Tarifaço dos EUA completa um mês com impacto limitado
Em um mês, tarifaço de Trump gera perdas setoriais, reação diplomática do Brasil e medidas de apoio interno, mas impacto geral segue limitado.
Publicado em: 06/09/2025 às 11:48 | Atualizado em: 06/09/2025 às 11:49
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras completa um mês neste sábado (6/9), marcado por negociações frustradas, defesa da soberania nacional pelo governo Lula, apoio emergencial a setores produtivos e queda nas exportações para o mercado norte-americano. Apesar do impacto direto sobre segmentos dependentes dos EUA, como o de calçados e fruticultura, medidas como o Plano Brasil Soberano e isenções para quase 700 produtos ajudaram a reduzir os efeitos imediatos.
Ameaças em julho
Em 9 de julho, Donald Trump enviou carta ao presidente Lula anunciando tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras.
O republicano justificou a medida pelo suposto déficit comercial e pelo “tratamento” ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Brasil rebateu com dados que mostram déficit acumulado de US$ 410 bilhões com os EUA nos últimos 15 anos.
Concretização em agosto
Mesmo após tentativas de negociação, Trump confirmou a ordem executiva em 30 de julho, que entrou em vigor no dia 6 de agosto. Cerca de 700 produtos ficaram de fora, incluindo aeronaves, fertilizantes, suco de laranja e combustíveis, beneficiando empresas como a Embraer.
Como ficaram as tarifas
Segundo o MDIC, 35,9% das exportações brasileiras passaram a pagar a tarifa cheia de 50%. Outros 19,5% já sofriam taxas específicas ligadas à segurança nacional, como automóveis e aço. No total, 64,1% das exportações mantiveram condições competitivas.
Negociações e soberania
Após o início do tarifaço, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad buscaram interlocução com os EUA, mas reuniões foram canceladas.
Lula, por sua vez, endureceu o discurso e orientou ministros a defenderem a soberania nacional diante das medidas “descabidas”.
OMC e reciprocidade
O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os EUA e também iniciou processo para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite contramedidas tarifárias. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende cautela e insiste em diálogo.
Efeitos econômicos locais
Ceará, Petrolina (PE) e Franca (SP) estão entre as regiões mais afetadas. No Ceará, mais de 90% das exportações para os EUA foram atingidas, enquanto Petrolina teme prejuízo com frutas e Franca vê risco para milhares de empregos na indústria de calçados.
Ajuda às empresas
O governo lançou o Plano Brasil Soberano, com R$ 30 bilhões em crédito, isenções tributárias e facilitação de compras públicas para empresas impactadas.
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Indicadores e análises
Em agosto, as exportações brasileiras para os EUA caíram 18,5%. Economistas apontam que parte do recuo se deve à antecipação de embarques em julho. Apesar dos efeitos setoriais, o impacto na inflação nacional foi mínimo devido à lista de isenções.
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Foto: Ricardo Stuckert/PR
