Trump e Lula: diplomacia entre ataques públicos e conversas privadas
Na análise do Estadão, a postura dupla de Trump revela desafios à diplomacia global
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 25/09/2025 às 16:30 | Atualizado em: 25/09/2025 às 16:30
A viagem do presidente Lula aos Estados Unidos e os encontros na Assembleia-Geral da ONU revelaram a dupla postura de Donald Trump.
Em público, o presidente estadunidense fez críticas duras a líderes mundiais; em reuniões privadas, adotou tom conciliador, inclusive com Lula, em que ambos demonstraram “química” e trataram de assuntos estratégicos como terras raras.
Richard Gowan, diretor da ONU para o Grupo de Crise Internacional, disse que os líderes estavam “nervosos com o que Trump iria dizer” e adotaram a estratégia de serem “o mais gentis possível”.
O contraste foi evidente durante a Assembleia-Geral. Em discurso, Trump chamou a ONU de inútil e disse que outros países estavam “indo para o inferno”. Em reunião com António Guterres, mudou o tom: “Nosso país apoia as Nações Unidas 100% e a organização está incrível, realmente incrível”.
No encontro com Lula, Trump acusou o Brasil de “esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades de nossos cidadãos”. Nos bastidores, porém, se abraçaram. Trump disse:
“Ele parecia um homem muito legal. Ele gostou de mim, eu gostei dele. Tivemos, pelo menos por cerca de 39 segundos, uma excelente química. É um bom sinal”.
A abordagem levou líderes estrangeiros a praticarem a “arte da bajulação”, conscientes de que Trump responde bem a elogios. Em alguns casos, isso funcionou: europeus o convenceram a mudar de ideia sobre a invasão russa da Ucrânia, e ele afirmou que a Ucrânia, com ajuda da OTAN, poderia vencer a guerra.
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