A mídia brasileira e as eleições norte-americanas

Publicado em: 19/11/2012 às 00:00 | Atualizado em: 19/11/2012 às 00:00

* Armando Clovis

A recente eleição presidencial na Venezuela quase passou despercebida pelos principais meios de comunicação brasileiros. O mesmo aconteceu com as eleições municipais em Cuba, ocorridas no último dia 4 de novembro. Não há nada comparável ao tratamento dado às eleições presidenciais norte-americanas, que ocuparam, por longas semanas, as manchetes das TVs e dos jornais brasileiros.

O que motivaria nossa velha mídia a cobrir de forma diferente as eleições nesses países? Não se tem uma resposta clara para tal fato, mas algumas suspeições podem ser levantadas. Talvez seja porque nós, brasileiros, tenhamos sidos informados que, nesses últimos cinquenta anos, a Ilha sempre esteve governada por um ditador que se aposentou e passou o bastão para seu irmão.

Nossos principais meios de comunicação desconhecem ou fingem desconhecer que há eleições em Cuba, por isso nunca as noticiaram. Ou mais grave ainda: não as noticiam porque poriam em risco a já baixa credibilidade dos seus editoriais contra experiências fora do eixo neoliberal. A Venezuela, por exemplo, não seria referência de democracia, por isso evitam divulgá-la, para que outros países do continente sul americano não se contaminem do socialismo do século 21.

Além do que Chavez seria um ditador que não respeitaria liberdade de imprensa e a democracia, mesmo tendo realizado várias eleições em seu país sob a supervisão de observadores internacionais, os quis sempre atestaram a  lisura dos pleitos. A presteza com a cobertura das eleições norte-americanas está associada, sem dúvida, à louvação ao modelo de democracia capitalista que serve aos capitalistas e não aos trabalhadores e aos pobres.

Por exemplo, enquanto os candidatos norte-americanos desembolsam fortunas para pagar propaganda na TV, por aqui se tem o horário eleitoral gratuito, tão criticado por parte da imprensa tupiniquim.  O que seria do PSTU, PCO, entre outros partidos, se essa moda pega no Brasil. Não mencionei o PSOL porque se trata de um partido que já está grande. Aliás, na última Carta Capital, o senador Aécio Neves (PSDB) fala em colocar em votação a cláusula de barreira, pois acha que existem muitos partidos no Brasil. Talvez nossa velha mídia sonhe em resgatar o bipartidarismo.

O Jornalismo feito no Brasil em torno da eleição norte-americana parece mais uma ação tática dos barões da mídia. Os Frias, os Marinhos, os Civitas vêem a possibilidade em criar no imaginário do eleitor brasileiro um modelo de eleição onde as forças em disputa não possuam grandes diferenças ideológicas. Ou seja, quem ganhar, ganhou. Nada mudaria na relação dos grandes conglomerados da mídia com as contas do governo. A pauta dos donos da mídia sempre volta a cada eleição e não estará fora da próxima de 2014. É uma tentativa sub-reptícia para tentar virar um jogo cujos resultados não agradam as mídias conservadoras e ultraconservadores. Afinal, o PT só venceu cresceu nas últimas eleições municipais. Contra a vontade da mídia aliada ao Tio Sam, claro.

Portanto, não nos iludamos com o caráter do “bom jornalismo” das grandes redes de comunicação brasileira. Não foi à toa que a Rede Globo enviou Wiliam Waack, um de seus principais jornalistas, a Nova York, para acompanhar a disputa entre Obama e Romney. Como diz o ditado popular: “nesse mato tem coelho” ou como dizia Milton Friedman, papa do neoliberalismo, de uma forma mais sofisticada: “”Não existe almoço de graça”. Daqui para frente toda tentativa será valida para impedir que o projeto presidencial encabeçado pelo PT seja novamente vitorioso em 2014.

  • O autor é economista

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