Abraço pela vida
Publicado em: 30/11/2011 às 00:00 | Atualizado em: 30/11/2011 às 00:00
Ivânia Vieira*
Mulheres do Amazonas estão sendo mortas por tiros, facadas, espancamentos. São mortes anunciadas com antecedência. Ainda assim os pedidos de socorro não são ouvidos. A quem importa essa tragédia?
As autoridades têm discursos prontos para apresentar números e até imagens. Não raro são dados distantes da realidade de isolamento e de abandono a que estão submetidas essas mulheres. A estrutura dos governos na maioria das cidades brasileiras e, de forma particular, nos municípios amazonenses é marcada pela precariedade e pela ausência. Não é a falta de recursos financeiros e sim a falta de vontade política para virar essa página. Em geral, violência doméstica contra a mulher é assunto tratado com importância menor pelo conjunto das autoridades e amplos setores da sociedade.
Prevalece um pensamento de que as mulheres vitimizadas o são porque querem ser e com ele mantém-se o alimento de uma cultura de violência naturalizada, reforçada pela mídia e pela publicidade.
O movimento de mulheres local/regional é convocado a olhar com atenção ampliada e levar de volta às ruas as bandeiras de luta (pela qualificação dos agentes públicos que atuam nessa área, por espaços físicos dignos para receber e atender as mulheres vitimizadas, para que programas de governo contemplem essas mulheres).
Estudos mostram que, em todo o mundo, em pelo menos 80% dos casos de assassinatos de mulheres a motivação é a tentativa delas de encerrar um relacionamento. Aquelas que não são mortas de imediato passam a viver um longo processo de violência traduzida numa outra forma de matar.
No 25 de novembro, milhares de mulheres organizaram mobilizações em várias regiões do mundo para marcar o Dia Internacional pela Não-Violência contra a mulher. Está nas ruas e nas praças, na Internet, a campanha “quem ama abraça, pelo fim da violência contra a mulher”. Mulheres e homens estão sendo convidados a abraçar a causa. Olhar em casa, no trabalho, na escola, na vizinhança, ser parte de um outro elo de promoção e de zelo por uma vida sem violência.
*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.
