Decisão corajosa

Publicado em: 29/04/2009 às 00:00 | Atualizado em: 29/04/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

Acertada e corajosa a decisão da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, em informar publicamente sobre o câncer do qual foi acometida.

A história recente no Brasil e no mundo envolvendo o estado de saúde de personalidades públicas expõe engendramentos para evitar que a sociedade tome conhecimento sobre figuras públicas acometidas de doenças graves. Tancredo Neves, eleito presidente do Brasil, pelo Colégio Eleitoral, é parte desse enredo. Até o comunicado oficial da sua morte, em 21 de abril de 1985, uma população aflita tentava obter informações enquanto os ‘muros de proteção’ em torno de Tancredo produziam mais desespero e incertezas entre os brasileiros.

Outro caso emblemático é o do Papa João Paulo II. Até a sua morte, em 2 de abril de 2005, o mundo, principalmente o católico, viu se arrastarem os esforços oficiais para apresentar o Papa em condições de conduzir o seu rebanho. Ele já não conseguia fazê-lo, vítima de várias doenças. Suas aparições silenciosas, em diferentes momentos, gritavam a agonia pessoal de João Paulo. Em outros tantos casos prevaleceu a lógica de interesses mais particulares ignorando a dimensão pública dessas pessoas.

Neste 2009, Dilma, pré-candidata à presidência da República, é surpreendida com um câncer. A decisão sobre qual atitude tomar envolve vários aspectos. Ao final da batalha, prevaleceu o bom senso: informar, sem alarde, e com respaldo científico, o seu problema.

No dia seguinte após anúncio, feito pela ministra, de que retirara um tumor maligno, alguns comentários: “Dilma, candidata, já era”; “acabou a candidatura Dilma”… É cedo para tais posições definitivas, mas é o momento de ver o saldo positivo nesse caso: um maior número de pessoas tem, hoje, mais informações sobre linfoma e recebeu reforço de alerta para a importância dos exames rotineiros. Essa conduta possibilitou à ministra saber sobre o gânglio e extirpá-lo em seu estágio inicial. Não menos diferente tem sido a postura do vice-presidente da República, José Alencar na briga contra o câncer, sem espetacularização.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

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