Em nome das meninas

Publicado em: 11/02/2009 às 00:00 | Atualizado em: 11/02/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

Encerrou em janeiro o prazo dado pelo Talebã para retirar das escolas públicas do Paquistão todas as meninas. Escolas particulares daquele país também estão sob ameaça de destruição se desobedecerem às ordens do grupo. Informações mais recentes são de vários estabelecimentos de ensino depredados.

No ano passado, 130 escolas públicas foram queimadas na região do vale do Swat porque meninas freqüentavam as aulas. A BBC estima em 70 mil o número de estudantes sem lugar de estudo por conta desses atos. A ordem é impedir o acesso de mulheres à educação. E para fazer valer a regra qualquer ação está autorizada, até matar. Mulheres, de todas as faixas etárias, são vítimas desse estado de violência e de massacres contínuos.

Mulheres nas escolas são vistas como desestruturadoras do sistema e responsáveis pela subversão do poder no Paquistão. Parece estranho, em 2009 do século 21, nos defrontarmos com situações como essa. Elas estão ai e não são exclusividade de um único país, diversificam em suas abordagens de violência e silenciamento.

Em junho de 2008, uma instância de poder – o conselho de notáveis (ou Yirga) – da província de Baluquistão, decidiu resolver um conflito entre clãs, entregando 15 meninas virgens a um dos clãs. As crianças tinham entre três e 10 anos, informou o jornal El País citando o motivo do conflito em nome do qual muitas pessoas têm morrido: um cachorro de um grupo mordeu um burro pertencente a outro grupo. O animal atacado morreu. A matéria abordava a noção de valor de mulheres e de animais no Paquistão. A história das mulheres naquela região é de tamanho sofrimento e negação absoluta dos direitos que soa como uma terrível ficção. Mas é realidade cruel.

Somos todas e todos, no mundo inteiro, convocados a conhecer a luta das mulheres paquistanesas, das afegãs… e nos tornarmos, a partir da solidariedade, operárias e operários na construção de uma outra cultura e no reforço, extremamente necessário, de fazer a denúncia acontecer além fronteira. Estamos diante da exigência de pressionar as instâncias nacionais e internacionais para impedir a continuidade dessa prática e desnaturalizar o massacre imposto às mulheres.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

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