Entre o tempo e o lago
Publicado em: 25/03/2009 às 00:00 | Atualizado em: 25/03/2009 às 00:00
Ivânia Vieira*
A Colonia Antonio Aleixo, Zona Leste, realiza hoje um ato singular: exercícios de leitura entre os seus moradores. Os escritores Marcio Souza e Tenório Telles são os convidados para esses exercícios. A partir das 14h, os dois estarão no Centro Educacional e Social do Lago do Aleixo (Cesela) numa conversa com os comunitários.
O Cesela tem mais de 5 mil títulos e acaba de ser reformado, sem grande requinte, mas com enorme pretensão. Quer comemorar com seu povo esse momento novo. E tem motivações suficientes para isso.
Nos anos 70 até a metade dos anos 80 do século passado, a Colonia era o lugar remoto de depósito de pessoas. A segregação à qual foram submetidos os hansenianos em todo o País tem no Antonio Aleixo um desses endereços históricos.
Se, no passado, a região abrigou um dos mais controversos modelos de tratamento da doença, também dos guetos da agonia surgiram manifestações de solidariedade, de compaixão, de amor. O isolamento teve um outro aspecto, o de garantir a conservação do lugar. As colonias foram desativadas e gradativamente forjou-se o bairro.
O Antonio Aleixo conservado se constituiu em área cobiçada. Hoje é cenário de destruição. Os impactos provocados pela ocupação, por indústrias e pelos exploradores dos recursos naturais criaram um rastro de morte.
Os exercícios de leitura, retomados a partir de hoje, e o grande seminário sobre a revitalização do lago, no dia 27, são a celebração da vida. O conselho gestor da comunidade aliou-se a várias instituições para debater, durante todo o dia, propostas que sejam vida nova para o lago, a floresta e as pessoas. Há um vento forte soprando do Antonio Aleixo.
UM TEMPO VELOZ
Tem um tempo em que o tempo passa tão rápido. É veloz como onda. Dia e noite se embolam, travam embates terríveis. Então, o descuido, numa esquina qualquer, a surpresa que atropela e põe um fim com várias interpretações. Talvez até de um outro começo. Ernesto Coelho, Paulo José e Sebastião Reis, sem combinar, cada um com seu jeitão, como uma onda nos surpreenderam numa esquina dessa passagem por aqui. Agora, o tempo nos espreita e diz que é este o momento de ser. Depois não há mais tempo.
*Jornalista, professora do Curso de Comunicação da Ufam.
