Na rede de Pe. Claudio

Publicado em: 12/08/2009 às 00:00 | Atualizado em: 12/08/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

O auditório do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (Sares) estava cheio no sábado (8). Durante todo o dia, mulheres e homens, de diferentes faixas etárias, fizeram do espaço uma arena de debates e ensaios de tomada de decisão.

Nesse mesmo sábado completava um ano da morte de Pe. Claudio Perani. A homenagem a esse sacerdote que conjugou o verbo amar em plenitude e o fez principalmente para os brasileiros mais periféricos, aconteceu do jeito que ele mais gostava de viver, nos encontros, promovendo reflexões, discussões, ouvindo sempre com atenção, falando pouco e de jeito tão brilhante.

O tema escolhido para o seminário do grande encontro foi “ Novos processos políticos na Amazônia”. Em torno desse enredo, militantes do movimento social, pesquisadores, professores, religiosos protagonizaram um rico debate sobre as experiências populares no interior da Amazônia. Reconheceram-se e reencontraram-se nos fios das lutas travadas nos anos 70, 80, 90 e tentaram formular estratégias para inaugurar um outro protagonismo no redesenho da intervenção social nesse começo de século 21.

Pe. Claudio fez da sua existência uma ponte teimosa, determinada, incansável. Olhando agora, também é uma rede larga abrigando nossas diferenças, forjando nos nós do trançado a unidade reinvindicada para que o movimento se renove e siga em frente. É terra fértil. Mobilizada em sua intenção, a militância re-uniu-se, atualizou a agenda dos compromissos e, embalada pelo ritmo do carimbó, descobriu-se mais fortalecida para voltar às ruas.

Aliás, Claudio Perani costumava lembrar que “o lugar do movimento social é na rua, fazendo pressão”. O auditório do Sares desde aquele sábado tem o nome dele e também o seu sorriso que enche a nossa alma e atiça a esperança de construir mudanças nessa Amazônia.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

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