Para o Curumim-Escritor

Maria do Rosário, eu, Jô e Tadeu, no Café da Saraiva

*Wilson Nogueira

 

A imagem do Tadeu de Souza que guardo na alma e no coração não é a do repórter e apresentador de TV que nos deixou no último dia 6.

O que se imprimiu em mim foi a figura do curumim que queria conquistar tudo aquilo que ele veio a ter e ser pelo saber fazer e pelo fazer o bem.

Esse curumim, gentil e irrequieto, buscava o conhecimento como palco do espetáculo da vida.

Assim, vem-me à memória a persona do Curumim-Escritor que, de partida, já se propunha a escrever um livro sobre a história de Parintins.

Esse e outros livros vieram a ser publicados.

Eu, quando também curumim, observava que esse menino de atitudes precoces se acamaradava tanto de anônimos quanto de destacados nos mais diversos setores da sociedade.

Tadeu morava no Centro. Eu, na Baixa da Xanda, agora mais conhecida como Baixa de São José.

Nas minhas jornadas de vendedor de tucumã sempre cruzava com ele, com a admiração renovada.

Eu também queria ser escritor!

Até hoje não sei de onde tirei essa ideia. Mas, com certeza, o Curumim-Escritor ajudou-me a impulsioná-la.

Adultos, nos tornamos amigos. E compartilhamos algumas paixões: a leitura atenta, o boi-bumbá Garantido, o jornalismo, o apego à família e aos amigos, as conversas infindáveis.

Ideias e motes não faltavam para que elas se prolongassem horas a fio.

Hoje só nos resta a falta, a perda desse ser único que nos deixou precocemente, esvaziando o nosso mundo.

É por esse mundo chamado Tadeu de Souza, único entre tantos, que choramos, que ficamos tristes.

E cada um dos seus amigos e admiradores, que não são poucos, herdará o afeto desse curumim que esteve entre nós e imprimiu suas pegadas em nossas memórias.

Boa viagem, amigo.

 

*O autor é jornalista e escritor