Welcome to the jungle!
Publicado em: 13/02/2009 às 00:00 | Atualizado em: 13/02/2009 às 00:00
Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Iron Maiden, Pink Floyd, Rolling Stones, Queen, Black Sabbath… todas essas bandas surgiram no Reino Unido, terra do Rock e do Metal. Tudo começou na década de 60, com os Beatles. Depois, vieram os Rolling Stones para dar conceito ao Rock n’ Roll. Apareceu o Jimi Hendrix com a sua guitarra “incendiária” e finalmente, surgiu a famosa máxima Sex, Drugs & Rock n’ Roll. Até aqui, pelo menos três grandes nomes, todos adorados, glorificados. Até que, na década seguinte, surgem outras estrelas do Rock. Led Zeppelin, Black Sabbath, Queen e Pink Floyd meteram a sola nas páginas da história da música.
Um novo gênero surgia e na cola, seus subgêneros. O Black Sabbath e seu Ozzy Osbourne inventaram o Metal. O psicodélico foi outro que veio, embora não tenha sido para ficar, trazido pelos Pink Floyd. O Queen arrebentava e se tornou uma das bandas mais prestigiadas de sempre, até quando toca sem Fred Mercury. Quando tudo parecia já ter alcançado seu máximo, em plena década de oitenta, eis que surge a maior banda de Heavy Metal do mundo! Seis homens bravos, com nítida influência dos Sabbath, resolveram criar o Iron Maiden. “Heavyy na veia”!
Nos EUA, é preciso reconhecer, também surgiram grandes nomes. Bandas como The Dorrs, Metallica, Red Hot Chili Peppers (argh!), Nirvana, Soundgarden e muito etc… Os bons velhos tempos… Gosto de pensar nesses tempos como a época em que as mulheres tinham todas cabelo curto e os homens é que tinham brinco e cabelo comprido, e fama de metaleiros, camisas-preta e…
Toda essa viagem foi a trajetória para encontrar a música ideal para o nascimento da filha de um amigo meu. Quando perguntei por que era tão importante escolher a música certa, logo entre aquelas vindas da Inglaterra, ele se apressou em responder: “Pense bem, o que seria de nós, fãs de Rock e de Metal, se estas bandas não existissem? E se a Inglaterra não tivesse existido?”
Fiquei impressionada com o laconismo. Como não poderia perder a piada, sugeri “Welcome to the jungle” (Bem vindo à selva), do Gun´s Rose, que tinha esquecido até então, mesmo sabendo que a banda é norte-americana. Ele também sabia. Pensei que poderia ajudar mais ainda, afinal, como viver uma vida sem música?
Não me surpreendeu encontrar dezenas de fóruns, comunidades, chats e outras ferramentas virtuais onde se discutiam a experiência do nascimento. Afunilando, sobre rock era mais complicado. Quer dizer, sobre o rock em si ou sobre a identificação familiar da criança com o gênero, algo como “Meu filho gosta de rock” soando mais como orgulho do que como susto, foi tranqüilo. Heavy foi encontrar algo mais específico.
Por fim, decidiu-se tocar Beatles na hora do parto. Morri de rir. A imaginação correu solta. Como me chamaram para fotografar (e eu nunca mais vou fazer isso pelo simples fato de querer ter filhos), acompanhei os momentos decisivos. Minha amiga estava no delírio absoluto do parto normal quando a Lucy nasceu. Meu amigo chorava diamantes nas nuvens. Eu, vivi o sonho absurdo de “Lucy in the Sky with diamonds”. Foi lindo! Até cantei. Fiquei pensando se, em caso de menino, se chamaria “Elvis”… Rá!
Nome escolhido, voltei-me a pensar que desde aquele primeiro momento de relacionamento físico do meu amigo com a filhinha dele, estava estabelecido um forte laço de identificação cultural naquela família. O nome a acompanharia para sempre. A música estará sempre presente em sua vida. O repertório dos pais é o que mais influencia e, se for variado, o da criança também será. De modo abrangente, conhecer de tudo vai ajudá-la a formar seu gosto musical e sua opinião. E aí, quem sabe, acontece aquilo que o educador e poeta Rubem Alves diz: “Ensina-se música sem perceber”.
*Jornalista, mestranda em Sociedade e Cultura na Amazônia/Ufam.

