Por uma ficha limpa

Publicado em: 30/09/2009 às 00:00 | Atualizado em: 30/09/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

A cidadania brasileira acaba de estabelecer um novo marco na sua caminhada. Ao colocar dentro do Congresso Nacional um projeto de iniciativa popular amparado por 1,3 milhão de assinaturas, provoca um espetacular efeito de reação muito além do campo político-eleitoral.

A campanha “ficha limpa”, sob responsabilidade do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), integra um projeto maior – “Combatendo a corrupção” – cujo embrião data de 1996. Há 13 anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) identificou a compra de votos como um dos mais graves desvirtuamentos do exercício da democracia. A intervenção proposta à época estava amarrada a um compromisso batizado pelos idealizadores de ação de “mudança estratégica”. É o que está sendo feito, sem perder de vista obstáculos previstos e outros que surpreenderam.

A estrada longa e com muitos trechos desconhecidos provocou momentos de euforia e de desânimo entre os caminhantes. A lei nº 9.840 cujo aniversário de dez anos foi comemorado na segunda-feira (28) é fruto dessa histórica mobilização nacional. Chegar a um milhão de assinaturas foi muito duro. Mas o movimento conseguiu e, em 1º de outubro de 2000, um novo mecanismo legal de combate à corrupção eleitoral entrava em ação. Hoje, mais de 600 eleitos foram cassados por envolvimento em atos de corrupção.

A “mudança estratégica” permanece como bússola. A campanha ficha limpa é, a partir de agora, um projeto para ser votado pelo Congresso Nacional. Significa avanço, pois provoca um debate fundamental sobre quem são os candidatos que querem nos representar, qual é folha corrida deles, os expõem publicamente, obriga-os a prestar esclarecimentos e ajuda o eleitor a tomar decisão com mais liberdade. Crescemos juntos na limpeza do caminho.

Deixe sua marca
Quem não colocou o nome nessa primeira grande coleta ainda tem chance, é só buscar o endereço www.mcce.org.br. Também foi dada a largada a uma outra tarefa do movimento popular: pressionar os parlamentares para a tramitação imediata da proposta.

*Jornalista e professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

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