‘Se Bolsonaro precisar que eu leve cigarro, conte comigo’

A disposição de ir à prisão foi anunciada pelo advogado do almirante Garnier, ex-ministro de Bolsonaro

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/09/2025 às 17:04 | Atualizado em: 02/09/2025 às 17:07

O advogado Demóstenes Torres, que representa o almirante da reserva Almir Garnier, surpreendeu nesta terça-feira (2 de setembro) durante o julgamento da tentativa de golpe de Estado ao afirmar que, caso Jair Bolsonaro (PL) precisasse, estaria disposto a levar cigarros para ele em qualquer lugar.

A declaração inusitada veio acompanhada de um relato pessoal. O advogado contou que, após deixar a política, encontrou Bolsonaro em um aeroporto de Brasília, onde o ex-presidente teria demonstrado afeto.

“Ele parou, me viu, voltou correndo, me deu um abraço e falou: ‘senador, para mim não aconteceu nada’. Então, se o Bolsonaro precisar de eu levar cigarro para ele em qualquer lugar, conte comigo. Ele é uma pessoa que eu gosto”, disse.

Demóstenes Torres, ex-senador, defende Garnier, que comandou a Marinha durante o governo Bolsonaro e é um dos oito réus do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o almirante de integrar uma organização criminosa que articulou medidas para impedir a posse do presidente eleito Lula da Silva em 2022. Segundo a denúncia, Garnier teria colocado a Marinha à disposição de Bolsonaro para sustentar um projeto de ruptura institucional.

O militar responde por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

A defesa, no entanto, rejeita as acusações e sustenta que não há atos concretos que comprovem a adesão de Garnier a um plano golpista. Torres também aponta contradições nos depoimentos dos comandantes do Exército e da Aeronáutica, que, segundo ele, deveriam ser interpretadas em favor do réu.

O julgamento prossegue no STF.

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Foto: Reprodução/Vídeo