Âmbar resiste e impõe nova derrota ao ‘Rei do Gás’ no Amazonas
Aneel nega pedido da Cigás e autoriza venda das usinas Aparecida e Mauá 3 à empresa que está adquirindo a Amazonas Energia
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/09/2025 às 23:19 | Atualizado em: 09/09/2025 às 23:20
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rejeitou, nesta terça-feira (9 de setembro), o recurso da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), controlada em 83% pelo empresário Carlos Suarez, conhecido como “Rei do Gás”, contra a transferência das usinas térmicas Aparecida e Mauá 3, em Manaus, para a Âmbar Energia, do grupo J&F.
A ofensiva jurídica da Cigás é capitaneada pelo escritório do ex-presidente Michel Temer, contratado para defender os interesses de Suarez no caso.
O recurso buscava condicionar a operação à resolução de supostas contingências contratuais, sob o argumento de que a distribuidora de gás é parte estratégica do abastecimento no Amazonas.
A relatora, diretora Agnes Maria Costa, classificou as alegações como “apontamentos genéricos e sem correlação direta com o ato impugnado”, deixando claro que a manobra não encontrou respaldo técnico.
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Derrotas em série
A negativa da Aneel soma-se a uma sequência de reveses de Suarez.
No mês passado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou liminar que suspendia a venda das térmicas, e a juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe condenou a Cigás a pagar R$ 4,5 milhões por litigância de má-fé.
A venda, fechada pela Eletrobrás com a Âmbar por R$ 4,7 bilhões, é parte da estratégia do grupo J&F para expandir seu domínio no setor energético da região, o que coloca em xeque a influência histórica de Suarez sobre o abastecimento de energia no Amazonas.
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Âmbar na Amazonas Energia
Pouco antes, a Aneel havia aprovado a transferência da Amazonas Energia para a Âmbar, que herda dívidas de cerca de R$ 12 bilhões e sérias dificuldades operacionais.
O grupo promete um aporte de R$ 9,8 bilhões e um “choque de gestão” para reestruturar a concessionária.
O negócio envolvendo as usinas Aparecida e Mauá 3 ainda precisa ser homologado judicialmente, mas a decisão desta terça-feira enfraquece a resistência de Suarez e, por tabela, de Temer, à nova configuração do setor energético no estado.
Quem é Carlos Suarez
Empresário baiano com forte atuação no setor de gás e energia, Carlos Suarez construiu sua fortuna com concessões de distribuição de gás canalizado em vários estados.
No Amazonas, é controlador da Cigás, detendo 83% do capital. Sua influência política e empresarial rendeu-lhe o apelido de “Rei do Gás”.
O que está em jogo
As térmicas Aparecida e Mauá 3, localizadas em Manaus, são estratégicas para a geração de energia no estado, que ainda depende fortemente de fontes térmicas.
A venda para a Âmbar Energia, por R$ 4,7 bilhões, representa uma mudança no controle de ativos relevantes, afetando o equilíbrio de poder no setor energético amazonense.
O papel Temer no caso
Ex-presidente da República, Michel Temer atua como advogado de defesa dos interesses da Cigás e de Carlos Suarez nesta disputa.
Sua entrada no caso é vista como uma tentativa de agregar peso político às estratégias jurídicas para travar a operação, embora até agora sem sucesso.
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Foto: divulgação/Cigás
