Átila Lins denuncia operação da Polícia Federal em Manicoré e Humaitá

Decano da Câmara Federal critica ação da PF no Amazonas e defende regularização do garimpo artesanal.

Publicado em: 16/09/2025 às 20:32 | Atualizado em: 16/09/2025 às 20:33

O deputado federal Átila Lins (PSD-AM) usou a tribuna da Câmara dos Deputados para denunciar e protestar contra uma operação da Polícia Federal ocorrida nos municípios de Manicoré e Humaitá, no estado do Amazonas.

Em seu discurso, o parlamentar leu uma nota de protesto de sua autoria e destacou o repúdio da Diocese de Humaitá, ambas condenando a ação que resultou na explosão e afundamento de balsas e embarcações de garimpeiros locais.

Segundo Lins, a operação em Manicoré foi marcada por uma violência ainda maior por ter ocorrido em um momento simbólico e sagrado para a comunidade.

A ação aconteceu no dia 15 de setembro, data em que a cidade celebrava sua padroeira, Nossa Senhora das Dores, e chegou a interromper a procissão religiosa.

“O que se presenciou em Manicoré foi um ato que fere não apenas a dignidade daqueles que dependem do seu trabalho, mas também a própria harmonia de uma cidade que em sua data mais simbólica foi ferida em sua fé e em sua história”, afirmou Lins em seu protesto.

Desse modo, as imagens da destruição foram comparadas pelo deputado a um filme de faroeste.

Protesto e direitos humanos

Em sua nota de protesto, lida no plenário, Átila Lins criticou a forma como a operação foi conduzida, tratando trabalhadores como criminosos e destruindo seu patrimônio de forma sumária, sem direito à defesa.

Ele ressaltou que, para muitos cidadãos locais, o garimpo é a principal fonte de sustento.

“Reconhecemos o papel das instituições e a necessidade de que a lei seja cumprida. No entanto, não podemos aceitar que trabalhadores sejam tratados como criminosos sem distinção”, diz um trecho da nota.

O documento cobra das autoridades uma postura de maior diálogo e proporcionalidade, afirmando que a defesa do meio ambiente e da legalidade não pode ser usada como justificativa para a destruição indiscriminada de vidas e sonhos.

Repúdio da Igreja Católica

O deputado amazonense reforçou a gravidade dos acontecimentos ao mencionar a nota de Repúdio e Solidariedade, emitida pela Diocese de Humaitá e pelas paróquias de Manicoré.

O documento da igreja católica manifesta profunda indignação e repúdio diante dos atos de violência contra o que chamam de “extrativismo mineral familiar”.

A Diocese denuncia que a operação, ao invés de buscar soluções pacíficas, recorreu à violência, destruindo vidas, sonhos e a subsistência de inúmeras famílias.

 A nota classifica o ocorrido como uma forma de injustiça social que é contrária ao Evangelho, ferindo a dignidade.

Apelo pela regularização

Ao final de seu discurso, Átila Lins conclamou pela busca de uma solução definitiva para o conflito: a regularização da atividade de extrativismo mineral artesanal no Amazonas.

Ele citou como exemplo o estado de Rondônia e o município de Porto Velho, que já possuem legislação específica para a atividade.

“Eles querem trabalhar regularizados, eles não querem trabalhar contra a legislação. É preciso que a gente se debruce e seja encontrado um caminho para nós não termos a repetição de fatos tão danosos”, concluiu o deputado.

E finalizou:

“Manicoré merece respeito. Sua gente merece dignidade”.