Reino Unido quer 15º título com homenagem a Chico da Silva
Com a homenagem ao sambista e cantor nascido em Parintins, a agremiação pretende conquistar novo título do carnaval amazonense
Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 22/06/2026 às 18:09 | Atualizado em: 22/06/2026 às 18:09
A escola de samba Reino Unido do Morro da Liberdade, de Manaus, vai defender, na avenida do sambódromo, em 2027, o samba enredo “Diário de um boêmio e outras cantigas de Chico da Silva”.
Com a homenagem ao sambista e cantor brasileiro Chico da Silva, nascido em Parintins, no Amazonas, a agremiação pretende conquistar o seu 15º título de campeão do carnaval amazonense.
Chico da Silva esteve no lançamento do tema, realizado neste dia 21 de junho na quadra da escola, com a participação de diretores e foliões.
“Chico da Silva agradece à escola de samba Reino Unido da Liberdade pela homenagem, pelo carinho e pelo respeito dedicados à sua trajetória artística”, acentuou a conta oficial do artista no Instagram.
O mesmo espaço de mídia registra: “Ver sua história inspirar um enredo carnavalesco é mais um reconhecimento à importância de sua contribuição para a música popular brasileira”.

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Diário de um boêmio
A canção “Diário de um boêmio” (Polydor) foi lançada em 1978 e se tornou, imediatamente, um hit do samba brasileiro.
A música expressa os sentimentos do poeta que se espraiam do amor à poesia, à beleza da musa, à saudade, à nostalgia e ao companheiro violão – esse que conduz o destino do boêmio apaixonado pela música.
O refrão é a síntese dessa canção:
“Aonde estava a boemia lá estava eu
Sempre levado pelo braço de um violão
Até que veio a nostalgia
Pra fazer morada no meu coração”.
Ala de compositores
Assim que se encerrar o Festival Folclórico de Parintins, membros da ala de compositores se reunirão com Chico da Silva para afinar o tema, que contemplará menções a outras músicas.
A proposta temática da escola, assinada por Jorge Chocolate e Gilson Nogueira, destaca que cada composição de Chico da Silva “é um nó num grande tecido: separadas, são canções bonitas; juntas, são a Amazônia inteira posta em música”.
Suas músicas, ainda segundo esse documento, “retratam a natureza, o cotidiano, as festas populares e a alma do povo amazônida. Chico da Silva é, acima de tudo, a prova de que o Amazonas não é apenas bioma: é também som, poesia e alma”.
Também pontuam: “Da ilha de Parintins para o Brasil inteiro, sua obra segue fluindo como o rio que o viu nascer — largo, profundo e inesgotável”.
Homenagens
Em 1995, a escola de samba Sem Compromisso homenageou o artista com o samba-enredo “Chico da Silva, a explosão que vem da ilha” (Vílton Roberto, Onércio do Cavaco e Agnaldo do Samba).
Como compositor, Chico da Silva, em parceria com outros sambistas, já esteve na semifinal a escolha do samba enredo da Grande Rio e da Unidos da Vila Isabel, ambas do Rio de Janeiro.
Neste mês, Chico da Silva foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) por sua trajetória na cultura amazônica; e na Câmara Municipal de Parintins com as medalhas Mérito Legislativo Raimundo Almada e Mérito Cultural Jair Mendes.
Trajetória musical
Chico da Silva tem mais de 50 anos de carreira profissional, que reúnem nove LP (long plays) pela Polygram e cinco por outras gravadoras, no período que vai de 1977 a 2008.
É desse período o hit Sufoco, letra de sua autoria com Antônio José Castro, na voz de Alcione.
Um problema de saúde o afastou dos grandes palcos, mas o aproximou ainda mais das suas raízes amazônicas, por meio da toada de boi-bumbá e outras canções, nas vozes de cantores igualmente famosos.
Esse é o caso de “Vermelho”, toada composta para o boi-bumbá Garantido, lançada em 1996, em nível nacional, pela cantora Fafá de Belém e pelo levantador de toadas David Assayag.
Profissionalização nos bumbás
Quando voltou a morar no Amazonas, Chico da Silva passou, também, a compor toadas para os bumbás Garantido e Caprichoso, protagonistas do Festival Folclórico de Parintins.
A ele é atribuída profissionalização dos compositores de boi-bumbá, que até então compunham pelo amor à brincadeira.
Chico da Silva os incentivou a cobrar pelo trabalho de poeta, e assim foi feito.
Ele assina toadas icônicas nos dois bumbás, como “Vermelho” (Garantido), e “Missionário da luz” (Caprichoso), uma ode ao pegador de ossos Waldir Viana, consagrado por operar milagres por intermédio do seu ofício.
Foto: BNC Amazonas
