‘Tem cabo e sargento fazendo táxi’, reage caserna a Múcio sobre salário de general
Militares criticam Múcio após dizer que generais “vivem com dificuldades” e expõem desigualdade dentro das Forças Armadas.
Publicado em: 06/10/2025 às 22:00 | Atualizado em: 06/10/2025 às 22:44
As palavras do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ecoaram mal nos quartéis. Durante audiência no Senado, ele afirmou que os generais “vivem com dificuldades” e “precisam mudar de cidade a cada dois anos, prejudicando a família”.
“É uma elite. Sabe quanto ganha um general? Depois de 50 anos de serviço? Ele vai para casa com R$ 24 mil”, declarou Múcio, sob aplausos.
A fala, porém, desencadeou forte reação entre cabos, sargentos e suboficiais, que afirmaram que o ministro ignora as dificuldades da base.
Um comentário viralizou: “Tem soldado, cabo e sargento rodando Uber, vendendo produto, empreendendo em nome de terceiros para complementar a renda, porque o soldo não cobre o básico.”
Outros também ironizaram: “O dia que eu ver oficial tendo que fazer bico na rua pra fechar as contas de casa, me compadeço!” e “Se tá ruim pros generais, imagina pros praças.”
As críticas se ampliaram quando Múcio citou as transferências a cada dois anos como um fardo.
“A maior falácia é dizer que são prejudicados pela movimentação de 2 em 2 anos. (…) Os oficiais, nesse aspecto, são privilegiados, porque se movimentam muito mais do que os praças”, escreveu um militar.
Outro foi direto: “A cada dois anos são 200 mil na conta. Não paga aluguel e ganha diárias e ajudas de custo mês a mês.”
A reação revelou o abismo entre a cúpula e a base. “A lei 13.954/19 fez com que os generais e suas pensionistas ganhassem 144%, e os praças receberam 9%”, lembrou um usuário.
Em tom de desabafo, um sargento da reserva resumiu: “Ficamos desde 2017 sem reajuste nas baixas graduações. Perdemos o poder de compra. Empobreceram o militar de verdade.”
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Foto: José Cruz/Agência Brasil
