Lava Jato: Moro grampeou autoridades ilegalmente, PF tem provas
Documentos e gravações apreendidos na 13ª Vara indicam escutas contra autoridades com foro sem aval de tribunais superiores.
Publicado em: 17/12/2025 às 08:15 | Atualizado em: 17/12/2025 às 08:26
Documentos, relatórios de inteligência e gravações apreendidos pela Polícia Federal reforçam a acusação de que o então juiz Sergio Moro autorizou escutas ilegais contra autoridades com foro privilegiado, sem autorização de instâncias superiores.
Agentes encontraram o material em gavetas da antiga 13ª Vara Federal de Curitiba. Esse material inclui transcrições de conversas que envolvem desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e Heinz Herwig, então presidente do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR).
As provas corroboram as denúncias que o ex-deputado estadual Tony Garcia apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Garcia afirmou que, entre 2004 e 2005, Moro o orientou a realizar gravações telefônicas e ambientais contra autoridades fora da jurisdição da primeira instância.
Entre os achados está uma gravação de fevereiro de 2005 com Heinz Herwig. Meses depois, segundo a Polícia Federal, Moro determinou novas tentativas de escuta e registrou em despacho que considerava as gravações existentes “insatisfatórias para os fins pretendidos”.
A investigação também identificou registros de gravações envolvendo desembargadores do TRF-4, feitas por outro colaborador da Vara. A lei exige que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorize a investigação de autoridades com foro, mas essa autorização não ocorreu.
O ministro Dias Toffoli autorizou a busca na Vara depois que o STF apontou reiteradas omissões no envio de documentos e mídias, mesmo após a saída de Moro da magistratura. O procedimento segue em sigilo.
Procurado, Sergio Moro afirmou que as acusações se baseiam em “relatos fantasiosos” de Tony Garcia e disse não ter acesso aos autos atuais da investigação.
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
