Hapvida perde clientes e vê valor de mercado seguir derretendo

Relatórios de mercado e dados da ANS apontam que crise de confiança na operadora persiste mesmo após troca no comando.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 29/04/2026 às 12:00 | Atualizado em: 29/04/2026 às 12:02

A Hapvida (HAPV3) está vendo o abril de 2026 chegar ao fim sob intensa pressão, com indicadores que confirmam o prolongamento da crise iniciada no ano passado.

Dados consolidados de consultorias de mercado e de agências reguladoras revelam um cenário de retração: a companhia perdeu cerca de 661 mil beneficiários nos últimos quatro anos, ao mesmo tempo em que instituições financeiras, como o banco Safra, revisaram drasticamente para baixo o preço-alvo de suas ações.

A redução no preço-alvo: caiu de R$ 22,50 para R$ 16,00, o que reflete o ceticismo dos investidores quanto à velocidade da recuperação da empresa.

Segundo analistas do setor financeiro, o mercado de valores mobiliários tem reagido negativamente à dificuldade da operadora em integrar as operações após a fusão com a Notredame Intermédica, processo que resultou em gargalos assistenciais e ineficiência operacional.

Na prática, a crise ultrapassa os balanços financeiros. De acordo com informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a debandada de clientes ocorre principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde a marca enfrenta resistência e aumento no número de queixas.

No Amazonas, onde a empresa detém contratos vultosos com o setor público, a fiscalização tem sido intensificada por órgãos de controle devido a falhas na cobertura de tratamentos especializados.

Pressão sobre a nova gestão

A persistência da crise ocorre em meio a uma mudança histórica na estrutura administrativa.

Após 27 anos, Jorge Pinheiro deixou a presidência executiva, passando o bastão para Luccas Adib no final deste mês.

A missão do novo executivo é estancar a perda de valor de mercado e recuperar a rentabilidade, possivelmente por meio da venda de ativos e carteiras menos lucrativas.

Entretanto, a taxa de aluguel das ações da Hapvida (indicador usado por investidores que apostam na desvalorização do papel) atingiu níveis recordes em abril, sinalizando que o mercado ainda não está convencido da eficácia das medidas de curto prazo.

Para especialistas em saúde suplementar, a recuperação da imagem da marca depende diretamente da melhoria na qualidade do atendimento na ponta, reduzindo a sinistralidade e as multas aplicadas por órgãos reguladores.

Enquanto a reestruturação não entrega resultados práticos, o cenário para a operadora de saúde permanece de cautela, com o valor de mercado ainda distante dos patamares registrados antes da expansão nacional.

Leia mais

Foto: imagem gerada por IA