Salazar já topa ser vice-governador da chapa de Maria do Carmo
Em troca, Sargento Salazar recebe promessa do grupo de ser o candidato a prefeito de Manaus em 2028
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 15/05/2026 às 06:19 | Atualizado em: 15/05/2026 às 06:19
A possível entrada do vereador Sargento Salazar como candidato a vice-governador na chapa da empresária Maria do Carmo (PL) começa a provocar reacomodação no tabuleiro político das eleições de 2026 no Amazonas. A chapa sempre foi desejo da pré-candidata.
Até então tratado como favorito natural a uma vaga na Câmara dos Deputados, Salazar passou a ser visto dentro do Partido Liberal como peça central de uma estratégia majoritária que busca fortalecer o projeto de Maria do Carmo ao governo do Estado.
Nos bastidores do PL, interlocutores admitem que Salazar, que antes rejeitava publicamente a hipótese de disputar a vice-governadoria, agora já demonstra disposição para aceitar a composição. A aproximação mais intensa entre os dois durante agendas no interior do Amazonas é apontada como um indicativo claro de que a articulação saiu do campo especulativo e entrou numa fase mais concreta de construção política.
A mudança de posição de Salazar altera não apenas o desenho da chapa majoritária, mas também o equilíbrio da disputa proporcional para deputado federal.
Hoje, parlamentares e pré-candidatos enxergam o vereador como um fenômeno eleitoral em potencial, capaz de concentrar uma votação expressiva e praticamente assegurar uma das oito vagas do Amazonas na Câmara. Sua saída da corrida proporcional abriria espaço num cenário considerado extremamente competitivo.
Deputados federais ouvidos reservadamente pelo BNC avaliam que a ida de Salazar para a vice-governadoria “alivia” a disputa e reduz o risco de pulverização de votos dentro do campo da direita.
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Alberto Neto ganha
Um dos reflexos imediatos poderia ser o fortalecimento da pré-candidatura do deputado federal Capitão Alberto Neto ao Senado. A leitura entre aliados é simples: sem Salazar na disputa por uma vaga federal, candidatos da mesma faixa ideológica ganham mais margem para composição política e divisão de bases eleitorais.
Deputados comemoram
Nos bastidores, há quem vá além. Um interlocutor ligado às articulações afirma que a retirada de Salazar da corrida à Câmara poderia criar uma ampla convergência entre deputados federais em torno de Alberto Neto para uma das vagas ao Senado.
O raciocínio é pragmático: ao retirar da disputa o candidato considerado mais competitivo do grupo, vários parlamentares deixariam de enfrentar aquele que hoje é visto como um concorrente “imbatível”.
Maria ganha
Outro elemento que fortalece a tese da composição é o papel que Salazar vem desempenhando nas viagens de Maria do Carmo pelo interior do Estado. Segundo relatos de aliados, o vereador passou a funcionar como principal ativo popular da pré-campanha, assumindo o contato direto com o público, os discursos e a mobilização política nas agendas municipais.
A avaliação interna é que o carisma e a forte identificação popular de Salazar compensariam limitações operacionais da empresária em agendas mais intensas pelo interior amazonense.
Alfredo Nascimento perde
Mas a operação política não encontra consenso dentro do próprio PL. O principal foco de resistência estaria no presidente regional da legenda, o ex-deputado federal Alfredo Nascimento. Alfredo planeja retornar à Câmara dos Deputados justamente na onda do forte capital eleitoral de Salazar. Com o vereador migrando para a chapa majoritária, esse projeto ficaria ameaçado.
Prefeitura prometida a Salazar
A eventual composição também projeta efeitos para além de 2026. Entre aliados próximos da articulação, já circula a ideia de que Salazar poderia ser preparado para disputar a Prefeitura de Manaus em 2028, num acordo político construído a partir da aliança com Maria do Carmo. Nesse cenário, a vice-governadoria serviria como etapa de consolidação estadual de sua imagem antes de uma futura candidatura majoritária na capital.
Por enquanto, o movimento ainda ocorre em fase de construção silenciosa, sem anúncio oficial. Mas dentro do PL a percepção é de que a hipótese, antes improvável, passou a ser tratada como um cenário real, e capaz de provocar impactos em praticamente todas as frentes da eleição amazonense de 2026.
Foto: divulgação
