‘Estão me forçando a ser candidato’, diz Roberto Cidade

Governo prepara agenda de inaugurações que mostra o sinal mais claro de candidatura à reeleição de Cidade

'Estão me forçando a ser candidato', diz Roberto Cidade

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 15/06/2026 às 07:43 | Atualizado em: 15/06/2026 às 07:43

Um calendário em construção chama a atenção de aliados, adversários e observadores da cena política do estado. Trata-se da programação de inaugurações de obras do governo para as próximas semanas.

A ordem é acelerar as entregas. A meta é concluir e entregar o maior número possível de obras até o dia 4 de julho. Oficialmente, trata-se de uma agenda administrativa. Politicamente, porém, a coincidência de datas alimenta interpretações sobre os planos do governador Roberto Cidade (União Brasil) para 2026.

A razão é simples. A legislação eleitoral estabelece restrições à participação de candidatos em inaugurações de obras públicas nos três meses que antecedem a eleição. O artigo 77 da Lei nº 9.504/1997 veda o comparecimento de candidatos a inaugurações de obras públicas nesse período. Essa providência está no contexto das condutas vedadas da legislação eleitoral. O entendimento é reiterado pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Temas Selecionados).

Como o primeiro turno das eleições de 2026 ocorrerá em 4 de outubro, o marco de julho passou a ser observado com atenção, sobretudo no caso de Cidade. E é justamente até esse período que o governo pretende concentrar uma série de entregas.

Candidatura forçada?

O movimento ocorre após uma semana em que Roberto Cidade virou ao centro de ataques de seus possíveis adversários. Depois de enfrentar ataques simultâneos de adversários de diferentes campos políticos, episódio que evidenciou seu peso na disputa pelo Governo do Amazonas, o governador passou a repetir uma frase a interlocutores próximos:

“Estão me forçando a ser candidato”.

A declaração, em conversas reservadas, é interpretada por aliados como um sinal de que Cidade está convicto para disputar a reeleição, embora continue evitando anúncios públicos sobre seus planos.

No ambiente político, a leitura é que a sucessão estadual entrou definitivamente em sua fase de pré-campanha. Omar Aziz intensifica movimentações pelo interior. David Almeida amplia sua presença no debate estadual. Maria do Carmo busca consolidar seu espaço junto ao eleitorado conservador. E Roberto Cidade, ocupando a cadeira de governador, passa a conviver com um fenômeno clássico da política: quanto mais cresce como potencial candidato, mais se transforma em alvo.

Nesse contexto, as inaugurações ganham um significado que vai além do concreto, do asfalto ou das fitas cortadas. Cada entrega representa também uma demonstração de capacidade administrativa, ativo valioso para qualquer projeto eleitoral.

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Foto: BNC Amazonas