De Pitinga a Apuí: Amazonas mira protagonismo nos minerais críticos

Parceria para desenvolver minerais críticos encontra no Amazonas uma das áreas mais promissoras do país e possibilidade de integração com a Zona Franca de Manaus.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 23/06/2026 às 10:13 | Atualizado em: 23/06/2026 às 10:27

O acordo anunciado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobrás para pesquisa, desenvolvimento e inovação em minerais críticos pode abrir uma nova fronteira econômica para o Amazonas.

Em meio à disputa global por terras raras e outros minerais estratégicos para a transição energética e a indústria de alta tecnologia, o estado reúne algumas das áreas mais promissoras do Brasil e desponta como potencial beneficiário da nova política nacional para o setor.

A iniciativa foi apresentada durante as comemorações dos 74 anos do BNDES e tem como objetivo ampliar o conhecimento geológico do país, desenvolver tecnologias de processamento e criar condições para que o Brasil avance na agregação de valor aos seus recursos minerais, reduzindo a dependência externa em setores considerados estratégicos.

Para o Amazonas, o momento coincide com avanços concretos em projetos de terras raras e minerais críticos, reforçando a possibilidade de o estado ocupar posição relevante em uma cadeia produtiva hoje dominada por poucos países, especialmente a China.

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Apuí emerge como nova fronteira mineral

O principal exemplo desse potencial está no município de Apuí, no sul do Amazonas.

Recentemente, a Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovou os relatórios finais do projeto Ema, desenvolvido pela empresa BBX do Brasil, subsidiária da australiana Brazilian Critical Minerals.

A aprovação representa um dos passos mais importantes para a futura exploração comercial de terras raras na região.

O empreendimento prevê investimento inicial de cerca de R$ 200 milhões, geração de aproximadamente 500 empregos na fase de implantação e início das operações a partir de 2027.

A expectativa divulgada pela empresa é de faturamento anual próximo de R$ 400 milhões e arrecadação de cerca de R$ 8 milhões por ano para o município.

Mais significativo ainda é o plano de implantação futura de uma estrutura de processamento e refino em Manaus, o que permitiria agregar valor à produção dentro do Amazonas, em sintonia com a estratégia defendida pelo BNDES e pela Petrobrás.

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Pitinga e a presença chinesa

Outro ativo estratégico do Amazonas é a mina de Pitinga, localizada em Presidente Figueiredo e operada pela Mineração Taboca, controlada pelo grupo chinês CNMC.

Embora a operação seja conhecida principalmente pela produção de estanho, a região abriga minerais associados considerados estratégicos para a indústria de tecnologia avançada.

A presença chinesa ganha relevância adicional justamente porque a China domina atualmente boa parte da cadeia global de beneficiamento e industrialização de terras raras.

A nova política brasileira para minerais críticos surge em um contexto de crescente preocupação mundial com a concentração da produção e do processamento desses insumos em poucos países.

Nesse cenário, o Amazonas reúne uma combinação rara de fatores: recursos minerais, experiência minerária instalada, presença de investidores internacionais e proximidade com o maior parque industrial da região Norte.

ZFM pode ganhar novo papel

A eventual integração entre mineração e indústria é vista como um dos principais diferenciais do Amazonas.

Tradicionalmente voltada à fabricação de eletroeletrônicos, motocicletas, bens de informática e equipamentos de telecomunicações, a Zona Franca de Manaus (ZFM) pode encontrar nos minerais críticos uma oportunidade para ampliar sua participação em cadeias produtivas ligadas à transição energética, à mobilidade elétrica e à indústria tecnológica.

O desafio apontado por especialistas é evitar que o Brasil repita o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem processamento, capturando apenas uma pequena parcela do valor gerado por esses recursos.

A parceria entre BNDES e Petrobrás busca justamente enfrentar esse gargalo, estimulando pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico voltados à industrialização nacional.

Nova disputa geopolítica

As terras raras tornaram-se um dos ativos mais estratégicos da economia mundial.

Esses minerais são essenciais para a fabricação de baterias, motores elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos médicos, sistemas de inteligência artificial e tecnologias de defesa.

A crescente disputa entre China, Estados Unidos e União Europeia pelo acesso a esses recursos elevou a importância de países que possuem reservas ainda pouco exploradas, caso do Brasil.

Dados divulgados pelo governo estadual indicam que o Amazonas concentra uma das maiores reservas potenciais de terras raras do país, com ocorrências identificadas em Apuí, Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira.

Se os projetos em andamento avançarem e a estratégia anunciada por BNDES e Petrobrás se consolidar, o estado poderá ocupar uma posição inédita na economia brasileira, associando mineração estratégica, inovação tecnológica e capacidade industrial instalada na Zona Franca de Manaus.

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Foto: divulgação