Terceira noite de festival de Parintins: entre tecnologia ancestral e o futuro

Entre a força das tradições e o impacto da inovação tecnológica, Garantido e Caprichoso transformam a terceira noite em um duelo de estilo

Terceira noite de festival de Parintins: entre tecnologia ancestral e o futuro

Dassuem Nogueira, da Redação do BNC Amazonas em Parintins

Publicado em: 29/06/2026 às 09:23 | Atualizado em: 29/06/2026 às 09:23

A disputa da 59.º festival folclorico de Parintins está, metaforicamente, entre o cão tesla e o caramelo.
Ironicamente, quis o destino que, nesse festival surgisse um cachorro caramelo em plena abertura da primeira noite do Garantido. E que a sensação do último espetáculo do Caprichoso fosse um cachorro tesla ingerado em onça. Um é o símbolo da brasilidade, convertido em símbolo da popularidade do Garantido, e o outro é simbolo do que há de mais moderno sendo aproveitado para a arte popular de brincar de boi, “isso é inovação do Caprichoso, diria Arlindo Junior”. É a metáfora perfeita do que está em jogo nesse festival. Caprichoso trouxe o tema “Brinquedo ancestral do povo” e Garantido “Parintins, terra encantada” para o tudo ou nada da terceira noite.

Brinquedo das alturas

Caprichoso entra nas alturas novamente. E, em 1 hora de apresentação, havia utilizado o recurso três vezes, utilizando outras tantas até o final. Assim, por mais visualmente bonito, deixa de produzir o impacto esperado da surpresa.

Uma questãoa ser colocada é o risco desse tipo de recurso. O módulo que trazia o levantador e o boi com o tripa balançou muito com o vento da chuva que antecedeu a apresentação do Caprichoso. Notava-se que a corda que costuma conduzir esse módulo suspenso no chão (segurado por componentes no chão) não foi suficiente para manter o pleno controle módulo. Na retirada do módulo, viu-se uma pequeno tumulto entre oa componentes que lutaram para que a corda não escapulisse ou, então, perderiam totalmente o controle do módulo.

Raízes fortes

Ao contrário, boi Garantido entrou com um elenco numeroso todo no chão, exceto pelo boi Belezão. O boi do povão entrou cantando um pot-pourri de toadas antológicas, exaltando sua própria história. Quando canta suas raízes, o boi da Baixa se empodera e mostra a força de sua comunidade.

A onça robô

O momento mais impactante da apresentação do boi Caprichoso foi o dueto do pajé com um cão robô fantasiado de onça preta, ou seja, um cão ingerado em onça. A onça robô fazia duetos coreografados com o pajé.

Aromatizante

Garantido trouxe para a arena a tecnologia ancestral dentro do própria história: a cagila aromática, o banho de cheiro onde predomina o patchouli. Na década de 1990, sempre que o Belezão (nome dado a alegoria do Garantido agigantado), soltava-se a cagila aromática na direção das arquibancadas.

Guardião dos vaqueiros

Coronel, senhor com 50 anos de vaqueirada, guardião da tecnologia ancestral de confeccionar os cavalinhos da vaqueirada do Garantido foi homenageado. É ele o último da vaqueirada que ainda se apresentavam com dança personalizada, sem coreografia, portanro, é também guardião da história.

Amazonia indigena

Boi Caprichoso usou todo seu poderio coreográfico na apresentação dos povos indigenas conduzidos por cunhã poranga e pajé.

Dificuldades

Boi bumbá Caprichoso teve falha na execução de duas alegorias: a de lenda amazônica e a de figura típica regional. Boi bumbá Garantido teve problemas para a saída da rainha do folclore e da porta estandarte. Interessante que o atraso imprevisto foi contornado pelo improviso do coral ao chamá-la para a arena. O mesmo recurso fora usado na noite anterior quando a cunhã poranga teve a mesma dificuldade. Tais erros podem custar décimos preciosos aos bois.

Apuração

Em razão do jogo do Brasil, a apuração do festival folclórico de Parintins que comumente acontece às 14 horas da segunda-feira, acontecerá às 16 horas. Nesse momento, saberemos qual tecnologia agradou mais os jurados e, portanto, o grande campeão.

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Foto: reprodução/Tiago Corrêa e Mauro Neto/Secom