Governo Trump diz que PCC é a maior organização criminosa do ocidente

Em nova ofensiva contra o narcoterrorismo, Departamento do Tesouro americano alerta para possibilidade de intervenções militares na região.

Governo Trump diz que PCC é a maior organização criminosa do ocidente

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/07/2026 às 06:49 | Atualizado em: 02/07/2026 às 06:49

O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o crime organizado na América Latina. Em documento publicado na última quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro americano classificou a facção brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”.

O movimento faz parte de uma guinada agressiva na política externa e de segurança do segundo mandato do presidente Donald Trump, que adota o lema “paz por meio da força” para a região.

“O PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente”, dita o comunicado do Tesouro.

Como reflexo imediato da nova diretriz, as autoridades americanas anunciaram sanções econômicas contra dois cidadãos e três empresas brasileiras, acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro da facção.

Esta é a primeira rodada de sanções desde maio, quando o PCC e o Comando Vermelho (CV) foram oficialmente rotulados como organizações terroristas pelos EUA, sob a justificativa de serem responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, civis e autoridades públicas no Brasil.

A nova linha dura de Washington

A menção explícita ao “Hemisfério Ocidental” não é um mero detalhe diplomático. Ela consolida a nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada em janeiro pelo Departamento de Guerra. O plano tem um objetivo claro: assegurar a plena dominância militar e comercial norte-americana “do Ártico à América do Sul”.

A estratégia desenha dois caminhos para o continente:

  • Colaboração: apoio técnico e militar para que países aliados desenvolvam capacidade de desmantelar cartéis de drogas.
  • Intervenção Unilateral: alerta explícito de que os EUA podem optar por ações militares diretas “onde e quando julgarem que os interesses norte-americanos não estão sendo atendidos”.

O governo Trump fixou o combate ao “narcoterrorismo” como pilar central dessa política, reservando-se o direito de realizar ataques militares diretos contra essas organizações em qualquer lugar das Américas.

Como precedente e demonstração de força, o Departamento de Guerra citou a operação militar que resultou na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado de liderar o Cartel de los Soles.

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Geopolítica e fronteiras

Além do cerco financeiro e militar às facções criminosas, a nova estratégia de Washington para a região está ancorada em outros dois pontos considerados vitais para a segurança nacional americana:

  1. Combate à imigração ilegal: fortalecimento do controle de fronteiras e pressão sobre os países vizinhos para conter os fluxos migratórios.
  2. Contenção da China: frear o avanço da influência comercial e política de Pequim na América Latina, espaço que os EUA historicamente consideram sob sua zona de influência direta.

Com o PCC e o CV na mira do contraterrorismo americano, a pressão sobre o governo brasileiro e de outros países sul-americanos deve se intensificar nos próximos meses, redesenhando as fronteiras da cooperação policial e militar no continente.

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Foto: arquivo/Agência Brasil