Dinheiro de Sóstenes leva PF a possível rede que financia campanhas
Rastreamento dos R$ 468 mil apreendidos em 2025 leva investigadores a empresas, saques milionários em espécie e novas diligências sobre a origem dos recursos.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/07/2026 às 12:27 | Atualizado em: 02/07/2026 às 12:30
A investigação que começou com a apreensão de R$ 468 mil em dinheiro vivo em um endereço ligado ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) entrou em uma nova fase e passou a mirar um conjunto de operações financeiras que, segundo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, pode indicar uma estrutura mais ampla de circulação de recursos cuja origem ainda é apurada.
As diligências mais recentes decorreram justamente do rastreamento das etiquetas bancárias encontradas junto ao dinheiro apreendido no ano passado com Sóstenes.
A partir desse material, investigadores identificaram pessoas e empresas responsáveis por grandes saques em espécie e passaram a reconstruir o caminho percorrido pelos valores, em investigação autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino.
Segundo a decisão judicial, há indícios de utilização de pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade à movimentação de recursos, com registros de saques que, somados, podem alcançar R$ 15 milhões.
O inquérito busca esclarecer se existe vínculo entre essas movimentações e recursos públicos investigados. Até o momento, não há conclusão judicial sobre eventual responsabilidade criminal.
A nova etapa também levou ao cumprimento de mandados contra pessoas apontadas como integrantes do entorno do deputado líder de Bolsonaro, entre elas um advogado e empresários que teriam participado da construção da versão apresentada para justificar a origem do dinheiro apreendido com Sóstenes.
A PF apura se a negociação imobiliária apresentada corresponde aos fatos efetivamente ocorridos.
Sóstenes afirma ser inocente, diz sofrer perseguição política e sustenta que os valores tinham origem lícita decorrente da venda de um imóvel.
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Além da apreensão
Mais do que o volume de dinheiro encontrado, o aspecto que ganha importância política é o método empregado pela investigação.
Operações envolvendo recursos públicos raramente são esclarecidas apenas pela apreensão de valores em espécie. O trabalho costuma concentrar-se na reconstrução do percurso do dinheiro: quem sacou, quem transportou, quem recebeu, quais empresas participaram das movimentações e se houve tentativa de conferir aparência regular às operações.
É justamente essa fase que costuma definir se uma apreensão isolada permanece um fato episódico ou se revela uma estrutura financeira mais complexa.
Impacto para o debate eleitoral
Embora a investigação ainda esteja em curso, o caso recoloca no debate público um tema recorrente das eleições brasileiras: a rastreabilidade dos recursos utilizados na política.
Nos últimos anos, sucessivas reformas eleitorais ampliaram mecanismos de transparência e fiscalização das campanhas.
Ao mesmo tempo, investigações sobre dinheiro em espécie continuam despertando atenção porque dificultam a identificação da origem e do destino dos recursos.
Por essa razão, o foco atual da PF deixou de ser apenas o dinheiro encontrado com Sóstenes e passou a concentrar-se na cadeia financeira que pode explicar como esses valores circularam.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
