Eleições 2026: quem é Saullo Vianna?
Da ALE-AM à Câmara, passando pela gestão da assistência social de Manaus, conheça a trajetória do deputado
Publicado em: 07/07/2026 às 11:10 | Atualizado em: 07/07/2026 às 11:10
A política tem uma característica que poucas atividades públicas compartilham: ela está em permanente transformação.
Governos mudam. Partidos se reorganizam. Alianças são desfeitas. Novas lideranças surgem, outras desaparecem. A cada eleição, o tabuleiro político é redesenhado.
Nesse ambiente, permanecer relevante talvez seja um desafio ainda maior do que conquistar um mandato. É nesse contexto que a trajetória do deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM) desperta atenção às vésperas das eleições de 2026.
A menos de 90 dias da votação, seu nome aparece entre os parlamentares lembrados nas pesquisas para a reeleição à Câmara dos Deputados. Mas sua história política vai além da disputa por mais um mandato. Ela acompanha algumas das principais transformações vividas pela política amazonense nos últimos oito anos e ajuda a compreender como a articulação continua sendo um dos ativos mais importantes da vida pública.
Sua caminhada começou em 2018. Naquele ano, Saullo Vianna foi eleito deputado estadual pelo Partido Popular Socialista (PPS), integrando a coligação que apoiava a reeleição do então governador Amazonino Mendes, candidato pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Embora o grupo político não tenha vencido a disputa pelo Governo do Estado, Saullo conquistou seu primeiro mandato e iniciou sua trajetória no Parlamento amazonense.
O cenário político mudou rapidamente após a eleição.
Com um novo governo instalado, muitos parlamentares optaram pelo enfrentamento. Outros escolheram o diálogo institucional. Saullo seguiu pelo segundo caminho.
Na Assembleia Legislativa, aproximou-se da base do ex-governador Wilson Lima e passou a atuar em pautas ligadas à governabilidade, consolidando um perfil voltado à construção de consensos. A movimentação provocou debates políticos, mas também revelou uma característica que marcaria sua trajetória: a disposição para dialogar com diferentes atores em busca de resultados.
Os anos seguintes também foram marcados por mudanças partidárias. Depois de deixar o PPS, passou pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e, posteriormente, filiou-se ao União Brasil. As mudanças acompanharam a reorganização do cenário político nacional e antecederam um novo desafio.
Em 2022, foi eleito deputado federal.
A chegada à Câmara dos Deputados representou um novo patamar de atuação. Em Brasília, ampliou sua interlocução com prefeitos, lideranças municipais, ministérios e órgãos do Governo Federal, participando de agendas voltadas à defesa dos interesses do Amazonas, especialmente em temas relacionados à Zona Franca de Manaus, Reforma Tributária, da BR-319 e do fortalecimento dos municípios do interior e à destinação de investimentos federais.
Ao longo do mandato, optou por construir uma atuação voltada à articulação institucional. Na política, essa talvez seja uma das tarefas menos visíveis para quem acompanha apenas o debate público. Boa parte das decisões que impactam estados e municípios nasce muito antes das votações em plenário. Elas são construídas em reuniões técnicas, negociações entre diferentes esferas de governo, diálogo entre parlamentares e articulação com ministérios.
Foi exatamente nesse ambiente que Saullo passou a concentrar parte importante de sua atuação parlamentar.
Em 2024, durante as eleições municipais em Manaus, mesmo filiado ao União Brasil, partido que lançou candidatura própria à Prefeitura, Saullo declarou apoio à reeleição do então prefeito David Almeida (Avante), mesmo diante da candidatura de Roberto Cidade, apoiada por sua legenda.
Em 2025, tomou uma decisão que surpreendeu parte do meio político.
Licenciou-se da Câmara dos Deputados para assumir a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), na gestão do ex-prefeito David Almeida.
A mudança representou uma transição do Legislativo para o Executivo. À frente da assistência social de Manaus, passou a administrar uma das áreas mais sensíveis da gestão pública, responsável por políticas voltadas às famílias em situação de vulnerabilidade, segurança alimentar, proteção social e inclusão.
A experiência acrescentou à sua trajetória algo incomum para muitos parlamentares em primeiro mandato federal: a vivência prática da administração pública. Ao retornar à Câmara dos Deputados, trouxe consigo uma visão construída tanto na elaboração das leis quanto na execução das políticas públicas.
Mais recentemente, outro movimento chamou atenção.
Em 2026, deixou o União Brasil e filiou-se ao MDB. A mudança representou mais do que uma troca de legenda. Ela marcou sua integração ao grupo político liderado pelos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), em um momento de reorganização das forças políticas do Amazonas para a disputa eleitoral.
Naturalmente, toda movimentação partidária gera diferentes interpretações.
Para alguns, ela representa uma estratégia eleitoral. Para outros, demonstra a busca por maior capacidade de articulação em um sistema político cada vez mais baseado na construção de alianças.
Independentemente da leitura, um aspecto permaneceu constante ao longo de toda a trajetória. Desde o primeiro mandato como deputado estadual até a atual pré-campanha pela reeleição à Câmara dos Deputados, Saullo Vianna construiu sua carreira transitando por diferentes espaços do poder público sem interromper sua atuação política.
Foi deputado estadual. Tornou-se deputado federal. Assumiu uma secretaria estratégica da Prefeitura de Manaus. Retornou ao Congresso Nacional. Ingressou no MDB. Cada etapa ampliou sua experiência e redesenhou sua posição no cenário político amazonense.
Talvez essa seja justamente a principal característica de sua trajetória. Em um período marcado por profundas transformações na política do Amazonas, Saullo Vianna acompanhou diferentes ciclos de governo, diferentes composições partidárias e diferentes momentos institucionais sem deixar de ocupar espaços de diálogo.
Porque, no fim das contas, partidos mudam. Governos mudam. As circunstâncias políticas também mudam. Mas a essência da política continua sendo a mesma.
Ela é feita de diálogo, articulação, construção de confiança e da capacidade de reunir diferentes interesses em torno de um objetivo comum.
Em uma época marcada pela polarização e pelo confronto permanente, talvez essa seja a pergunta que acompanhará o eleitor amazonense até outubro.
Mais do que escolher nomes ou partidos, que perfil de representante o Amazonas deseja enviar novamente à Câmara dos Deputados?
A resposta, como sempre, será dada nas urnas.
Foto: divulgação
