Há duas vagas ao Senado, mas campanhas brigam apenas por uma. Por quê?
Após lançamento da candidatura de Roberto Cidade, os quatro principais grupos apresentam somente um candidato ao Senado e deixam aberto o destino do segundo voto do eleitor
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/07/2026 às 05:27 | Atualizado em: 08/07/2026 às 05:27
Com o lançamento da candidatura à reeleição do governador Roberto Cidade (União), nesta terça-feira (7), o tabuleiro da sucessão estadual praticamente se completou. Os quatro principais grupos políticos do Amazonas já têm seus candidatos ao Governo. Mas há um detalhe que começa a chamar a atenção da disputa de 2026: todos parecem disputar apenas metade da eleição para o Senado.
Embora o Amazonas escolha dois senadores neste ano, nenhuma das quatro principais chapas chegou ao eleitor com uma composição completa para a Câmara Alta.
O senador Omar Aziz (PSD) apresenta apenas o senador Eduardo Braga (MDB).
A empresária Maria do Carmo (PL) concentra sua campanha exclusivamente no deputado federal Capitão Alberto Neto (PL).
O ex-prefeito David Almeida (Avante) aposta somente em Marcos Rotta (Avante).
E Roberto Cidade, ao oficializar ontem sua candidatura, fez do ex-governador Wilson Lima o único nome de sua chapa para o Senado.
Durante o lançamento, Cidade não economizou elogios ao aliado.
“É por isso que nós não podemos abrir mão de ter um senador do bem, um senador do povo, um senador que vai honrar o amazonense, que é o Wilson Lima”, afirmou o governador.
A fala sintetiza a estratégia da chapa governista: transformar Wilson Lima no principal ativo da campanha majoritária.
Mas ela também evidencia uma lacuna.
O segundo voto continua órfão
Na cabine de votação, cada eleitor amazonense terá direito a escolher dois senadores.
Até agora, porém, as principais campanhas parecem pedir apenas o primeiro voto.
O fenômeno chama atenção porque nenhuma das alianças construiu uma dobradinha eleitoral capaz de disputar as duas cadeiras.
No grupo de Omar Aziz, por exemplo, o PT reivindica lançar um segundo candidato ao Senado, mas enfrenta resistência de Eduardo Braga, que prefere concentrar apoios na própria candidatura.
Nos demais grupos, sequer existe, até o momento, um segundo nome incorporado ao discurso político.
Opção aberta
Na prática, milhões de eleitores poderão votar para governador dentro de uma coligação e procurar o segundo voto para senador fora dela.
Plínio joga sozinho nesse espaço
Quem percebeu esse vazio foi o senador Plínio Valério (PSDB).
Desde o início da pré-campanha, ele trabalha justamente a ideia de ser a segunda escolha do eleitor amazonense.
Não por acaso, as pesquisas mais recentes mostram que, quando se analisa a disputa pela segunda vaga ao Senado, Plínio aparece competitivo ao lado de Wilson Lima, enquanto as demais campanhas permanecem concentradas em seus respectivos candidatos prioritários.
Em outras palavras, enquanto quatro grandes grupos disputam intensamente o primeiro voto para senador, Plínio tenta transformar o segundo voto em sua principal avenida eleitoral.
São Paulo faz exatamente o contrário
O contraste aparece de forma clara na disputa pelo Senado em São Paulo.
Levantamento Datafolha divulgado nesta semana mostra que tanto o campo da esquerda quanto o da direita estruturaram chapas completas.
No bloco apoiado pelo presidente Lula, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) aparecem dividindo o mesmo eleitorado.
Do lado do governador Tarcísio de Freitas, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) também surgem como candidatos casados na preferência de parte do eleitorado, embora Ricardo Salles (Novo) ainda dispute espaço dentro desse campo político.
O resultado é que o eleitor paulista já começa a enxergar naturalmente duas opções dentro da mesma aliança.
No Amazonas ocorre justamente o oposto.
As campanhas concentram energia em apenas um nome ao Senado e deixam em aberto justamente metade da votação.
Pode ser uma estratégia deliberada.
Ou um espaço político ainda não ocupado.
Mas, numa eleição em que cada eleitor depositará dois votos para senador na urna, ignorar o segundo voto pode custar uma cadeira no Congresso Nacional.
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Foto: Agência Brasil
