MPF ‘dorme’ e juiz solta policial motorista do roubo de ouro no Amazonas
Policial militar que dirigiu viatura no episódio estava em prisão preventiva.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/07/2026 às 13:35 | Atualizado em: 07/07/2026 às 13:35
A Justiça Federal determinou a soltura do investigador da Polícia Civil do Amazonas Luciano de Souza Granjeiro, preso preventivamente durante a operação Piloto de Fuga, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de roubo de ouro extraído ilegalmente e a atuação de uma organização criminosa.
Conforme informações do g1, a decisão foi tomada pelo juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso, da 2ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Amazonas, que entendeu haver excesso de prazo para a conclusão das investigações e para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF).
Granjeiro havia sido preso no dia 9 de junho. Segundo a Polícia Federal, ele teria atuado como o “piloto” da viatura oficial utilizada para transportar uma carga de ouro durante um assalto investigado pela corporação.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Piloto de Fuga, desdobramento da Operação Auxílio Criminoso, que apura o envolvimento de agentes públicos e de outros investigados no roubo e na ocultação de ouro de origem ilegal.
Na decisão assinada na noite de segunda-feira (6), o magistrado destacou que o policial permaneceu preso por quase 30 dias sem que o inquérito fosse concluído ou que o MPF apresentasse denúncia formal. Conforme a legislação, o prazo para conclusão de investigações envolvendo suspeito preso é de 15 dias, prorrogável por igual período.
O juiz também ressaltou que a demora não foi provocada pela defesa. Segundo os autos, o investigador apresentou elementos para sustentar sua versão dos fatos, entre eles álibis e registros de acesso a uma academia, que, segundo a defesa, demonstrariam sua ausência no local do crime.
Apesar de reconhecer a complexidade da investigação, Thadeu Piragibe entendeu que manter a prisão preventiva por tempo indeterminado configuraria uma antecipação de pena.
“Se o Estado ainda não reuniu elementos suficientes para iniciar a ação penal, não se mostra razoável que o cidadão continue a suportar a medida mais gravosa de restrição de liberdade”, afirmou o magistrado na decisão.
Em nota, a defesa de Luciano Granjeiro informou que sempre sustentou a inocência do policial e afirmou que os álibis apresentados comprovam sua não participação nos fatos investigados.
“A defesa permanece confiante de que, ao final do inquérito, qualquer dúvida remanescente será definitivamente afastada, restando plenamente comprovada a inocência do investigado”, diz trecho da nota.
Até o momento, o Ministério Público Federal não havia apresentado denúncia contra o investigador. A investigação da Polícia Federal continua em andamento.
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